CONSUMO DAS FAMÍLIAS DISPARA

Intenção de Consumo das Famílias atinge maior patamar em 11 anos

Gráfico mostrando a alta da Intenção de Consumo das Famílias.
Intenção de Consumo das Famílias é a maior em 11 anos.

ICF acumula 7º mês de alta e chega a 106,6 pontos, impulsionada pela queda na inflação de bens duráveis e estabilidade no mercado de trabalho. Famílias com renda de até 10 salários-mínimos lideram o avanço.

A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) atingiu 106,6 pontos em maio de 2026, o nível mais alto desde março de 2015. O índice registrou um avanço de 1,6% em relação a abril, marcando o sétimo mês consecutivo de crescimento. Na comparação anual, o indicador apresentou alta de 3,3%. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira, 25/05/2026, pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

O principal motor desse crescimento foi o aumento de 18,5% na disposição das famílias para adquirir bens duráveis, um reflexo direto da desaceleração da inflação neste segmento. Enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) geral subiu 0,67% em abril, os bens duráveis registraram uma variação de apenas 0,45%. No acumulado de 12 meses, a inflação de duráveis foi de 0,68%, contrastando com os 4,39% do índice oficial do país.

As famílias com renda de até 10 salários-mínimos foram as maiores beneficiadas, apresentando alta de 3,9% na intenção de consumo em relação ao ano anterior. Esse grupo sentiu positivamente o aumento de 1,6% no emprego atual e de 4,1% nas perspectivas de compras futuras, auxiliado pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que acumula alta de 4,11% em 12 meses até abril.

Para as famílias com renda superior a 10 salários-mínimos, a intenção de consumo cresceu 1,4% anualmente, apesar de uma leve queda de 0,1% no indicador de emprego atual. Este segmento registrou alta mensal de 1,6% no consumo atual e 2,0% nas perspectivas futuras, embora as expectativas de compras futuras tenham caído 1,8% em relação a maio de 2025.

José Roberto Tadros, presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, avaliou o resultado como um reflexo do alívio inflacionário localizado. Contudo, ele alertou para as incertezas que ainda pairam sobre o comércio, destacando que a taxa Selic em patamar "excessivamente elevado" continua a frear a economia ao encarecer o crédito e limitar o poder de consumo. Tadros ressaltou que o juro restritivo prejudica a capacidade de venda das empresas e a retomada do crescimento.

No mercado de trabalho, o indicador de emprego atual aponta para um momento de maior segurança, com 42,3% dos entrevistados considerando o período favorável para trabalhar, o maior percentual desde janeiro. A avaliação sobre o emprego atual subiu 1,2% em comparação anual. O subíndice de perspectiva profissional, apesar de ter recuado 5,9% anualmente devido a oscilações na taxa de desocupação, avançou 1,1% na comparação com abril.

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