DESEMPENHO DE ÍNDICES

IGP-M cai 0,50% em junho com alívio em preços ao produtor, aponta FGV

Gráfico mostrando a queda do IGP-M em junho.
Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) reverteu alta e passou a cair em junho.

O Índice Geral de Preços-Mercado reverteu alta e registrou queda em junho. Economista do FGV IBRE explica fatores como convergência de commodities e repasse de custos.

O Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) reverteu sua trajetória e passou a apresentar uma queda de 0,50% em junho. A divulgação dos dados pela FGV (Fundação Getulio Vargas) nesta segunda-feira, 29/06/2026, contrastou com a alta de 0,84% registrada no mês anterior. A variação negativa em junho foi influenciada pela redução nos preços de atacado, configurando um cenário de alívio para diversos setores.

A expectativa de mercado, conforme pesquisa da Reuters, previa um recuo de 0,45%. Com o resultado mais recente, o IGP-M acumula uma alta de 3,16% em 12 meses. Essa desaceleração sinaliza uma moderação nas pressões inflacionárias que vinham sendo observadas.

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que detém 60% do peso do índice geral e monitora a variação de preços no atacado, registrou uma queda de 0,97% em junho. No mês anterior, o IPA havia apresentado alta de 0,91%. Essa reversão no segmento produtor é um dos principais fatores para a deflação observada no índice geral.

Matheus Dias, economista do FGV IBRE, explicou que o movimento de convergência dos preços de commodities energéticas e minerais a patamares anteriores à crise de Ormuz contribuiu para a queda do IPA. A tensão geopolítica que havia levado ao fechamento do Estreito de Ormuz, importante rota de transporte de insumos como petróleo, e o consequente aumento de preços, parece ter arrefecido, permitindo uma normalização.

Dias também destacou o desempenho do segmento agrícola. Apesar das previsões de um El Niño intenso e dos impactos de conflitos como a guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, as principais safras do ano têm apresentado resultados positivos. Isso se reflete na queda de preços de produtos como cana-de-açúcar e café, que afetam diretamente o índice ao produtor.

Em contrapartida, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do índice geral, mostrou uma desaceleração em sua taxa de alta, passando de 0,61% em maio para 0,47% em junho. Essa desaceleração indica que parte da redução nos custos de produção está sendo gradualmente repassada ao consumidor final, aliviando a pressão sobre o orçamento familiar.

Essa transferência de custos é evidenciada na queda de preços de itens como gasolina, que recuou 1,29% em junho, etanol, com baixa de 5,61%, e café em pó, que apresentou queda de 2,57%. Esses produtos, presentes na cesta de consumo, registram quedas significativas, beneficiando os lares.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) apresentou uma leve alta de 0,85% no período, superior aos 0,77% registrados em maio. Esse segmento, portanto, ainda sente pressões inflacionárias, mas o comportamento geral do IGP-M sugere um cenário mais ameno para a economia.

O IGP-M é calculado com base nos preços ao produtor, consumidor e na construção civil, abrangendo o período de 21 do mês anterior até o dia 20 do mês de referência. A sua queda em junho é um indicativo importante do comportamento inflacionário no Brasil.

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