AGENDA LEGISLATIVA CRÍTICA

Congresso Nacional retoma atividades com pautas decisivas para o governo Lula

Edifício do Congresso Nacional sob céu aberto em Brasília.
Fachada do Congresso Nacional, em Brasília, durante a retomada dos trabalhos legislativos.

O Parlamento reinicia os trabalhos após o recesso com o desafio de conciliar projetos prioritários do Planalto e a dinâmica da campanha eleitoral.

O Congresso Nacional retoma os trabalhos legislativos após o período de recesso, iniciando uma corrida para a análise de temas estratégicos para o Palácio do Planalto antes do encerramento do ano. A principal meta do governo é reaquecer o debate sobre o fim da escala de trabalho 6x1, buscando capitalizar o tema durante a campanha eleitoral.

Apesar da aprovação na Câmara no fim de maio, a proposta encontra obstáculos significativos. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem mantido o texto travado na Casa Alta e sinalizou a intenção de postergar a votação para depois do pleito, visando evitar interferências na disputa política. A tramitação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) segue como o próximo passo necessário.

O cenário legislativo é desafiador devido à dispersão dos parlamentares, que priorizam suas bases eleitorais neste semestre. Para mitigar o impacto na produtividade, o Legislativo programou esforços concentrados de votação em agosto e setembro. Entre as prioridades, destaca-se a retomada das articulações sobre o projeto que criminaliza a misoginia, relatado pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que enfrenta resistência da oposição sob o argumento de riscos à liberdade de expressão.

No âmbito da tecnologia, o Executivo pressiona pela regulamentação das big techs, visando ampliar as competências do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) no mercado digital, e pelo avanço do projeto de regulação da IA, atualmente sob relatoria do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Paralelamente, a oposição mobiliza esforços para sustar decretos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que regulamentam o Marco Civil da Internet, exigindo maior responsabilização das plataformas e supervisão da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados).

A agenda econômica também permanece sob tensão. O governo busca negociar o reajuste para MEIs (Microempreendedores Individuais) enquanto resiste a pressões para elevar as faixas do Simples Nacional, devido ao impacto fiscal de R$ 50 bilhões anuais. No Senado, o clima político é agravado pela relação desgastada entre Davi Alcolumbre e o Planalto, o que tem dificultado o progresso de propostas como a PEC da Segurança Pública e a política de exploração de minerais críticos.

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