INDÚSTRIA RESPIRA ALÍVIO
IBGE revela crescimento industrial em três setores do RN em março
Vestuário dispara 101,2%; extrativismo e alimentos também avançam. Geral do estado ainda recua 5,1%.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, que a produção industrial de três dos quatro setores pesquisados no Rio Grande do Norte voltou a crescer em março, revertendo os resultados negativos do mês anterior. A divulgação da Pesquisa Industrial Mensal Produção Física Regional (PIM-PF Regional) revela que o destaque foi a confecção de artigos do vestuário e acessórios, com alta expressiva de 101,2% em comparação a março de 2025. Este crescimento em atividades-chave, como o vestuário e as indústrias extrativistas, oferece um fôlego para a economia local e abre perspectivas para o mercado de trabalho, apesar de a indústria geral do estado ainda enfrentar uma retração significativa, pressionada pela queda na produção de derivados de petróleo, um desafio que impacta a estabilidade econômica e o desenvolvimento social potiguar.
Além do dinâmico setor de vestuário, que viu a produção de calças, bermudas, jardineiras, shorts e peças semelhantes de uso masculino, bem como camisas e blusas femininas, impulsionar os números, as indústrias extrativistas também apresentaram um desempenho robusto, com crescimento de 12,6%. A fabricação de produtos alimentícios, vital para o abastecimento e geração de renda, registrou uma alta de 3%. Segundo Bernardo Almeida, analista do IBGE responsável pela pesquisa, "a produção de gás natural liderou a expansão no setor extrativo local, assim como a produção de balas e outros confeitos sem cacau e de sal refinado e iodado influenciaram o comportamento positivo do setor de alimentos".
Contrariando o avanço pontual em três atividades, a indústria geral do Rio Grande do Norte experimentou uma queda de 5,1% em março. Este resultado é significativamente influenciado pelo desempenho negativo da fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, único setor pesquisado que permaneceu em baixa, com um recuo expressivo de 21,1% na comparação com março de 2025. A persistência dessa retração demonstra a complexidade da economia local e a necessidade de estratégias para diversificar e fortalecer as bases produtivas do estado.
No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o cenário ainda é de retração para a maior parte das atividades industriais potiguares. As indústrias extrativistas acumulam queda de 9,5%, enquanto a fabricação de produtos alimentícios recua 7,3%. Já o setor de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis registra uma acentuada baixa de 30,6% no período, o que levanta preocupações sobre a estabilidade de empregos e o futuro de um segmento-chave para a receita do estado.
A única exceção a essa tendência negativa é a confecção de artigos do vestuário e acessórios, que mostra resiliência com um crescimento acumulado de 36,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Mesmo com esse impulso, a indústria geral potiguar acumula uma queda de 19,2% no primeiro trimestre, marcando o recuo mais intenso entre todas as unidades da federação pesquisadas pelo IBGE. O instituto aponta que o resultado negativo no Rio Grande do Norte foi fortemente pressionado pelo desempenho da atividade de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com destaque para o óleo diesel, refletindo gargalos estruturais e a dependência de commodities.
A Pesquisa Industrial Mensal Produção Física Regional (PIM-PF Regional) acompanha mensalmente o comportamento da produção física das indústrias extrativas e de transformação em 17 unidades da federação e na Região Nordeste. A próxima divulgação da pesquisa, referente a abril, está prevista para 10 de junho de 2026, e será crucial para avaliar a continuidade dessas tendências e o impacto nas vidas dos potiguares.
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