BOLSA EM QUEDA

IA e Big Techs Lideram Perdas nas Bolsas Internacionais Após Correção

Gráfico indicando queda acentuada nos índices da bolsa de valores, com destaque para empresas de tecnologia e IA.
Ações de empresas de tecnologia e Big Techs sofreram forte desvalorização nesta terça-feira, 23 de junho de 2026.

Setor de tecnologia, impulsionado pela IA, sofre forte correção. Investidores avaliam juros nos EUA e seletividade aumenta.

Bolsas internacionais encerraram a terça-feira, 23 de junho de 2026, em queda. A forte correção das ações de tecnologia, setor que vinha sustentando grande parte da valorização dos mercados globais em 2026, pressionou os índices. O movimento reflete uma combinação de fatores: preocupações com a trajetória dos juros nos Estados Unidos, realização de lucros após meses de alta impulsionada pela inteligência artificial (IA) e cautela dos investidores quanto às perspectivas de crescimento do segmento. Em Nova York, o índice Nasdaq Composite, referência para empresas de tecnologia, recuou 2,2%, enquanto o S&P 500 caiu 1,44%. O Dow Jones apresentou perda mais moderada, de 0,09%, indicando que a pressão se concentrou em companhias ligadas à inovação, semicondutores e infraestrutura para IA.

Gráfico de índice de bolsa em queda com o título IA e Big Techs lideram perdas nas bolsas.
Imagem ilustrativa das bolsas em queda.

O desempenho de fabricantes de chips foi um dos principais destaques negativos. A Micron Technology perdeu 13,2% de seu valor de mercado, a Qualcomm recuou 8%, e a Nvidia, símbolo da corrida global pela IA e maior fabricante de chips do mundo, caiu 4,1%, com seu valor de mercado ficando abaixo da marca de US$ 5 trilhões. O cenário reforça a percepção de que investidores reavaliam o ritmo de crescimento do setor após uma valorização sem precedentes nos últimos anos. Empresas ligadas ao armazenamento de dados também registraram perdas expressivas: a Sandisk despencou 13,6%, e a Western Digital caiu 8,4%. Ambas foram beneficiadas pela forte demanda por infraestrutura digital e restrições de oferta, fatores que impulsionaram receitas e margens. A correção desta semana sugere um ajuste de expectativas diante de avaliações consideradas elevadas.

A aversão ao risco também atingiu os mercados europeus, com o índice STOXX 600 recuando 0,81%. A ASML Holding, maior empresa da Europa em valor de mercado e líder mundial na fabricação de equipamentos para produção de semicondutores, caiu 7,83%, ampliando as perdas no segmento de tecnologia da região.

Além das dúvidas sobre a IA, investidores monitoram a economia norte-americana e seus impactos na política monetária. Indicadores recentes apontam para uma atividade econômica resiliente nos Estados Unidos, o que reduz a urgência de cortes de juros pelo Federal Reserve e alimenta expectativas de manutenção das taxas em patamares elevados por mais tempo. Juros mais altos afetam especialmente empresas de crescimento acelerado, cujas avaliações dependem de expectativas futuras de lucro.

Arun Sai, estrategista sênior de múltiplos ativos da Pictet Asset Management, aponta um "golpe duplo de crescente ceticismo em relação à IA e forte crescimento econômico nos EUA". Segundo ele, a combinação de economia aquecida e juros elevados torna setores cíclicos mais atraentes que empresas de tecnologia que lideraram a valorização nos últimos anos.

A recente queda das ações da SpaceX em negociações privadas também aumentou a cautela. Embora não seja listada em bolsa, seu desempenho é acompanhado como termômetro do apetite por ativos ligados à inovação. O movimento reforçou a percepção de que o mercado está mais seletivo com empresas associadas à revolução da IA.

Após meses de forte valorização impulsionada pela IA generativa, o mercado exige evidências mais concretas de retorno financeiro. A correção sinaliza uma fase de maior escrutínio sobre projeções de crescimento e capacidade de geração de resultados, sem alterar a relevância estratégica da IA para a economia global. O ajuste evidencia também uma mudança temporária de preferência dos investidores, que voltam a direcionar recursos para setores mais sensíveis ao ciclo econômico. Em um ambiente de juros elevados e crescimento robusto nos Estados Unidos, empresas com receitas previsíveis e avaliações menos esticadas ganham espaço.

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