SAÚDE INDÍGENA EM DESTAQUE

Hospital Dois Pinheiros atualiza quadro do Cacique Raoni

Hospital Dois Pinheiros atualiza quadro do Cacique Raoni

Líder da Amazônia apresenta melhora progressiva e segue sem febre, internado em Sinop, Mato Grosso, desde 14 de maio. Boletim divulgado nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026.

A saúde do Cacique Raoni Metuktire, figura emblemática na defesa dos povos indígenas e da Amazônia, mostra sinais de melhora, embora ele permaneça internado em Mato Grosso. A equipe médica do Hospital Dois Pinheiros, em Sinop, divulgou nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, um boletim que indica uma progressão positiva em seu quadro clínico, renovando as esperanças de seus apoiadores e da comunidade.

Conforme o comunicado do hospital, nas últimas 24 horas, Raoni apresentou uma melhora progressiva em seu estado geral. O líder indígena está agora sem febre e aceita melhor a dieta oferecida, sinais importantes de recuperação. Ele permanece sob monitoramento contínuo e acompanhamento dedicado de uma equipe multidisciplinar, garantindo que qualquer alteração seja rapidamente identificada.

Seu quadro clínico geral mantém-se estável, sem qualquer intercorrência registrada no período recente. O Cacique está internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) desde 14 de maio, recebendo tratamento para problemas respiratórios.

Quem é Cacique Raoni: Uma vida dedicada à Amazônia

Ropni Metyktire, universalmente conhecido como Cacique Raoni, nasceu provavelmente no início da década de 1930. Sua origem remonta a uma antiga aldeia Mebêngôkre (Kayapó) chamada Kraimopry-yaka, localizada no nordeste do Estado de Mato Grosso, segundo registros do Instituto Raoni.

Durante sua juventude, os Mẽbêngôkre viviam em comunidades seminômades, sem contato pacífico com a sociedade não indígena. Em 1954, quando seu povo estabeleceu contato definitivo com os não indígenas, Cacique Raoni, então com cerca de 24 anos, desempenhou um papel crucial no processo de pacificação de diversas aldeias.

Foi nessa época que ele conheceu os irmãos Villas Boas, figuras importantes que o ajudaram a aprender a língua portuguesa e a compreender o mundo além de sua cultura. A partir de então, Raoni se tornou o principal interlocutor entre os Mẽbêngôkre e a sociedade brasileira, assumindo uma posição de liderança inquestionável.

Ao longo de sua notável trajetória, Cacique Raoni emergiu como um protagonista em incontáveis lutas pelos direitos dos povos indígenas e pela preservação da Amazônia. Sua voz ressoou globalmente, consolidando-o como uma liderança legítima e um porta-voz incansável da causa ambiental.

Em 1978, sua vida e obra foram tema de um documentário que recebeu indicação ao Oscar, chamando a atenção internacional. Em 1987, um encontro com o músico Sting catapultou sua notoriedade a novos patamares. Nas décadas de 80 e 90, Raoni foi fundamental na demarcação dos territórios Mẽbêngôkre, que formam um dos maiores blocos contínuos de floresta tropical do planeta e, até hoje, constituem a principal barreira contra o desmatamento na porção leste da Amazônia. Além disso, ele participou ativamente da demarcação de terras de muitos outros povos indígenas.

Sua influência foi sentida na Assembleia Constituinte em 1987 e 1988, onde sua atuação junto ao movimento indígena foi decisiva para a inclusão dos direitos fundamentais dos povos indígenas na Constituição Federal de 1988, um marco histórico para o Brasil.

A partir da década de 90 e no novo milênio, Cacique Raoni realizou inúmeras viagens internacionais, angariando o apoio de importantes lideranças e personalidades globais. Essas mobilizações resultaram na captação de fundos internacionais para a demarcação de terras indígenas brasileiras e na conscientização pública sobre a urgência de proteger a floresta Amazônica e suas comunidades nativas.

Desde 2018, Raoni reassumiu a linha de frente na luta pelos direitos dos povos indígenas e pela defesa intransigente da Amazônia. Uma nova campanha em 2019 o levou a alertar o mundo sobre o avanço do desmatamento na Amazônia e as ameaças que exploram a floresta, buscando apoio para garantir as condições necessárias para a proteção territorial e o fortalecimento sociocultural de seus povos.

Em janeiro de 2020, o Cacique Raoni convocou um encontro histórico de lideranças de povos da floresta, onde reforçou a vital importância da união contra os ataques e retrocessos que ameaçam os direitos e as políticas indígenas e ambientais, reafirmando seu legado de resistência e esperança.

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