VIDA RENASCE

Hospital de Base une destino de transplantados

Paciente de Ilha Solteira recebe transplante de rim de criança em Rio Preto
Paciente de Ilha Solteira recebe transplante de rim de criança em Rio Preto

Anderson e Milton recebem rins de criança; nova esperança após luto.

O Hospital de Base (HB) de Rio Preto uniu o destino de dois pacientes, Anderson do Vale, 42 anos, de Ilha Solteira, e Milton dos Santos, 57, de Presidente Prudente, que nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, descobriram ter recebido os rins do mesmo doador: um menino de 11 anos, vítima de um trágico acidente em Mirandópolis (SP). A revelação, que emergiu durante a recuperação no mesmo quarto hospitalar, emocionou profundamente as famílias envolvidas e ressignificou o luto da família do doador, transformando-o em uma poderosa fonte de esperança e nova vida para os receptores.

A incrível história começou a tomar forma quando a esposa de Anderson do Vale, Elaine Cristina Mariano Braves, de Ilha Solteira, assistiu a uma reportagem da TV TEM sobre a morte do garoto e a subsequente captação de órgãos, autorizada pela família enlutada. Ao ouvir os detalhes do caso, ela imediatamente conectou as informações com a ligação recebida horas antes, que anunciava um rim disponível para o transplante do marido.

“O médico ligou para nós, na noite de quinta-feira, e disse que tinha um rim de uma criança de 11 anos que caiu da bicicleta. Na hora que vi a reportagem, eu associei os fatos”, contou Elaine Cristina Mariano Braves ao g1.

Anderson do Vale, que se mudou para Ilha Solteira em 2020, continuou seu tratamento e as consultas médicas em Rio Preto. No fim de 2025, ele foi incluído na fila de transplantes. Após a cirurgia, a mudança de perspectiva é palpável, resumida em gestos simples, mas de enorme significado para quem convivia com as severas restrições impostas pela doença renal crônica.

“É muita felicidade não precisar mais ficar quatro horas numa máquina, três vezes por semana. É muito bom saber que agora posso beber água à vontade”, celebrou Anderson ao g1, com a voz embargada pela emoção.

No mesmo Hospital de Base, Milton dos Santos, morador de Presidente Prudente, nutria expectativas semelhantes. Desde dezembro de 2025, ele realizava hemodiálise e ingressou na fila de transplantes no início deste ano. A ligação do médico, segundo ele, trouxe a mesma explicação sobre a origem do órgão que lhe daria uma nova chance.

“Na noite de quarta-feira, o médico me ligou e me ofereceu o rim de uma criança, que teria morrido ao cair de bicicleta. Triste pela morte de uma criança, mas feliz porque esse rim pode salvar a minha vida”, relatou Milton.

Ambos os pacientes transplantados devem permanecer internados por um período de sete a dez dias, sob acompanhamento médico intensivo, para garantir a adaptação plena dos novos rins e a realização dos exames necessários.

O Hospital de Base, por sua vez, informou ao g1 que, em respeito às normas de sigilo e privacidade entre doadores e receptores, não divulga oficialmente informações que permitam a identificação dos doadores ou os destinos específicos dos órgãos transplantados.

A despedida que salvou vidas

Segundo apuração da TV TEM, a tragédia ocorreu no dia 7 de maio, quando o garoto, de apenas 11 anos, caiu de bicicleta e bateu a cabeça, desmaiando em seguida. Socorrido pelo pai, ele foi levado ao Hospital Estadual, onde exames revelaram uma fratura craniana. Dada a gravidade do quadro, a criança foi transferida para o hospital de Araçatuba, onde passou por cirurgia e permaneceu internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas infelizmente não resistiu aos ferimentos.

Após a dolorosa confirmação da morte encefálica, os pais, em um ato de extrema generosidade e amor, autorizaram a doação dos órgãos do filho. Conforme informações do hospital, foram doados o fígado, os rins e as córneas, beneficiando outras pessoas que aguardavam na fila por um transplante.

Uma equipe de captação de órgãos chegou a Araçatuba a bordo de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) e contou com escolta da Polícia Militar para garantir o transporte rápido e seguro dos órgãos, um esforço logístico crucial para o sucesso dos transplantes.

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