CRISE POLÍTICA INTERNACIONAL

Gustavo Petro alerta para risco de guerra civil após denúncia de fraude na Colômbia

Gustavo Petro em pronunciamento na Casa de Nariño, Bogotá.
O presidente colombiano Gustavo Petro discursa durante uma coletiva de imprensa após alegar irregularidades nas eleições presidenciais de 2026, na Casa de Nariño, em Bogotá, Colômbia. — Foto: Luisa Gonzalez / Reuters

Presidente acusa interferência estrangeira no pleito e questiona a legitimidade de Abelardo de la Espriella. Oposição convoca protestos em grandes cidades.

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, declarou que o país enfrenta uma crise institucional sem precedentes após apontar a existência de uma fraude sistemática nas eleições presidenciais que levaram à derrota de seu aliado. Em pronunciamento realizado na segunda-feira (3), o mandatário afirmou que a ascensão ao poder do ultradireitista Abelardo de la Espriella coloca a nação sob o risco iminente de uma guerra civil.

A decisão de contestar o resultado, proferida no palácio presidencial em Bogotá, baseia-se na tese de Petro de que algoritmos e investimentos estrangeiros foram utilizados para manipular a vontade popular contra o candidato Iván Cepeda. Para o atual governo, a posse do sucessor, prevista para ocorrer na sexta-feira em Cali, representa a entronização de uma gestão ilegítima.

O cenário é agravado pela interferência externa apontada pelo chefe do Executivo. Petro sugeriu que o presidente eleito, que recebeu o apoio público de Donald Trump, estaria orquestrando um plano para sua extradição aos Estados Unidos fundamentado em acusações falsas. Essa tensão geopolítica reacende temores sobre a estabilidade democrática colombiana.

A crise reflete uma profunda polarização social. Enquanto a bancada de esquerda no Congresso, sob liderança de Cepeda, confirmou o boicote à cerimônia de posse e a convocação de manifestações em Bogotá, Cali e Barranquilla, o setor conservador teme uma escalada de violência. O receio é que a situação repita os protestos que marcaram o governo de Iván Duque, entre 2019 e 2021, que resultaram em um saldo trágico de vítimas.

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