COFRES PÚBLICOS EM ALERTA
Guamaré enfrenta queda de R$ 45 milhões na arrecadação entre 2024 e 2025
Município registra perda de mais de R$ 45 milhões em dois anos, com ICMS e ISS liderando o declínio. FPM cresce, mas não compensa a queda.
A gestão municipal de Guamaré precisou lidar com uma expressiva redução em suas finanças públicas, com a arrecadação total caindo mais de R$ 45 milhões entre 2024 e 2025. A trajetória de queda persistiu nos primeiros meses de 2026, conforme indicam os dados dos Relatórios Resumidos de Execução Orçamentária (RREO). O município viu suas receitas totais recuarem de R$ 279.705.774,36 em 2024 para R$ 234.380.352,02 em 2025, uma diminuição de R$ 45.325.422,34 em apenas um ano, representando um impacto de aproximadamente 16,2%.
Essa retração foi acentuada pela queda nas receitas de ICMS e ISS, duas fontes cruciais para os cofres municipais. Os repasses de ICMS caíram de R$ 135.816.908,32 em 2024 para R$ 108.850.517,29 em 2025, uma redução de R$ 26.966.391,03 (quase 20%). A arrecadação de ISS também sofreu um baque, diminuindo de R$ 29.649.394,94 para R$ 22.193.004,11, o que representa uma perda de R$ 7.456.390,83, ou 25,1%.
Em contraponto, o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) apresentou uma evolução positiva. Os repasses federais saltaram de R$ 30.461.556,62 em 2024 para R$ 33.717.341,83 em 2025, um aumento de R$ 3.255.785,21 (10,7%). Contudo, esse incremento não foi suficiente para mitigar as perdas significativas nas receitas geradas pela atividade econômica local.
Os dados mais recentes reforçam a tendência de encolhimento financeiro. No primeiro bimestre de 2024, Guamaré arrecadou R$ 106.782.397,21. No mesmo período de 2025, as receitas somaram R$ 76.244.854,01, e em 2026, caíram para R$ 66.581.488,14. A comparação entre os primeiros bimestres de 2024 e 2026 revela uma retração de R$ 40,2 milhões (37,6%). Em relação a 2025, a perda foi de R$ 9,66 milhões (12,7%).
Esses números expõem uma frustração crescente de receitas em um município historicamente impulsionado por vultosos repasses da indústria e do setor petrolífero. Embora Guamaré mantenha uma alta capacidade de arrecadação estadual, a redução de recursos impacta diretamente a capacidade da administração municipal de realizar investimentos, executar obras e ampliar a oferta de serviços públicos. O cenário demanda atenção da gestão, pois a persistência dessa tendência pode impor desafios fiscais cada vez maiores e comprometer políticas públicas.
A forte dependência das receitas do setor petrolífero, apesar de sua relevância econômica, torna Guamaré mais suscetível às flutuações do mercado, da produção e dos repasses tributários. A diminuição dos recursos públicos intensifica a necessidade de planejamento estratégico e de uma gestão financeira cada vez mais eficiente dos gastos municipais.



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