REEDUCAÇÃO DE AGRESSORES
Grupos de reflexão para autores de violência doméstica promovem mudança comportamental
Judiciário utiliza grupos reflexivos para interromper ciclos de agressão e reduzir a reincidência de violência contra a mulher no Brasil.
Homens encaminhados pela Justiça para grupos reflexivos frequentemente iniciam sua participação com resistência e sentimentos de vitimização. O programa, parte integrante das medidas protetivas da Lei Maria da Penha, busca transformar a agressividade em diálogo, promovendo a responsabilização e a reflexão sobre o comportamento dos autores de violência doméstica.
A iniciativa, que ganhou força após sua inclusão formal na legislação em 2020, visa interromper ciclos de abuso e prevenir formas graves de violência, como o feminicídio. A participação é obrigatória quando determinada pelo Judiciário, e o descumprimento pode resultar em sanções legais, incluindo a prisão.
O processo é estruturado em oito encontros presenciais, conduzidos por facilitadores especializados, como psicólogos do Fórum de Niterói e do Fórum do Rio de Janeiro. Segundo Marcia Valéria Guinancio, que atua na área há 13 anos, o trabalho foca em desconstruir a ideia de que o controle sobre a parceira é um direito, abordando temas como masculinidade, crenças culturais e autorresponsabilização.
Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam uma expansão significativa dessas políticas: o número de grupos no Brasil cresceu 125,6% desde 2020, totalizando 704 iniciativas em 2026. Embora a mensuração da reincidência ainda seja um desafio, o impacto na vida dos participantes é relatado por eles próprios como um processo de libertação, ao trocarem reações violentas por novas possibilidades de comunicação e convivência social.
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