FORÇA NO CONGRESSO
Governo pressiona Senado por fim da 6x1 após aprovação expressiva na Câmara
O Palácio do Planalto enxerga a aprovação em dois turnos como demonstração de força para acelerar a PEC que muda escala trabalhista no Senado. A expectativa é que o texto seja aprovado até julho.
O Palácio do Planalto avalia a expressiva aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais na Câmara dos Deputados como uma forte demonstração de força política. O objetivo é usar esse ímpeto para pressionar o Senado a aprovar o texto, que agora segue para a casa revisora, de forma célere.
A PEC foi aprovada em dois turnos no plenário da Câmara nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026. No primeiro turno, o placar foi de 472 votos a favor e 22 contra. Já no segundo turno, a proposta obteve 461 votos favoráveis e 19 contrários. Esses resultados, amplamente favoráveis e superiores às expectativas iniciais do governo, que projetava entre 390 e 450 votos, são vistos como um trunfo para influenciar a decisão dos senadores.
A estratégia do governo é que o Senado ratifique o texto aprovado na Câmara, minimizando ou evitando alterações significativas. A articulação para viabilizar essas votações contou com a presença e o empenho dos ministros José Guimarães (Relações Institucionais) e Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) ao longo de todo o dia na Câmara. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também participou ativamente, auxiliando na construção de um acordo com o presidente da Casa, Arthur Lira, e com o centrão.
A oposição e alguns parlamentares do centro mostraram-se isolados em suas críticas mais contundentes à proposta. Vale notar que a maioria dos deputados do PL votou a favor da PEC, sinalizando um apoio amplo à mudança na legislação trabalhista. A expectativa do Planalto é que o Senado aprove a matéria até o final de julho, antes do recesso parlamentar, permitindo que os trabalhadores percebam os efeitos das alterações ainda este ano, possivelmente influenciando o cenário eleitoral de outubro.
Líderes do centrão na Câmara, contudo, avaliam como provável que o Senado promova alguma modificação no texto. Dependendo da natureza dessas alterações, a proposta poderá retornar para uma nova análise na Câmara. Por outro lado, o PL no Senado já articula estratégias para estender a tramitação, sugerindo a passagem por múltiplas comissões antes de chegar ao plenário. Caso aprovadas na Câmara, as mudanças na jornada e na escala trabalhista entrarão em vigor 60 dias após a promulgação no Congresso, com implementação total prevista para ocorrer em, no mínimo, 14 meses.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário