TRANSPARÊNCIA E DIPLOMACIA

Itamaraty revela lista de hóspedes em residências oficiais após determinação da CGU

Fachada do Palácio do Itamaraty
Palácio do Itamaraty

Após resistência de seis meses, órgão expõe nomes de autoridades, artistas e diplomatas que utilizaram imóveis do Brasil no exterior em missões oficiais.

O Itamaraty tornou pública uma lista com parte dos hóspedes das residências oficiais do Brasil no exterior, decisão concretizada em 29 de julho após seis meses de resistência por parte do órgão. A divulgação, obtida via Lei de Acesso à Informação (LAI), atende a uma determinação da Controladoria-Geral da União (CGU) e traz à tona o uso de estruturas diplomáticas por ministros, parlamentares e autoridades do alto escalão.

O levantamento detalha 227 pessoas que ocuparam as residências em 386 ocasiões, somando 1.419 dias de estadia entre 1º de janeiro de 2023 e 29 de julho. O uso desses imóveis é uma prática comum para servidores e agentes públicos durante missões, visando a redução de custos com hospedagem. Entre os nomes que figuram na lista estão a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, ministros como Marina Silva e Jorge Messias, além de nomes como Luís Roberto Barroso e Altineu Côrtes (PL-RJ).

A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, lidera o tempo de ocupação, acumulando 47 dias em residências oficiais, superando o próprio ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que registrou 46 dias. As estadias ocorreram em capitais estratégicas como Roma, Berlim, Washington e Buenos Aires.

A transparência sobre o uso desses ativos é fundamental para o controle social, uma vez que as residências são mantidas com recursos públicos. Contudo, a CGU estabeleceu critérios para a publicidade: apenas nomes de hóspedes em missão oficial foram revelados. A decisão preserva a identidade de convidados particulares, sob o entendimento de que a vida privada dos diplomatas não se confunde com a gestão pública, protegendo dados pessoais sem vínculo institucional.

O processo para a obtenção dos dados foi marcado por sucessivas negativas do Itamaraty. Em março, o ministério chegou a alegar que a solicitação seria “desproporcional” e exigiria 250 horas de trabalho de 226 servidores. Somente após sucessivos recursos apresentados a partir de 5 de fevereiro, a CGU interveio para garantir o acesso da reportagem às informações.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário