RISCO NO JOGO
Governo Lula autoriza 1xBet com histórico de fraudes
Plataforma recebeu aval do Ministério da Fazenda em julho de 2025, apesar de operar sem licença e enfrentar processos por bloqueio de valores de apostadores.
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por meio do Ministério da Fazenda, autorizou a operação da plataforma de apostas 1xBet no Brasil em julho de 2025. A decisão, revelada neste domingo, 17 de maio de 2026, pelo jornal O Estado de S. Paulo, ocorre em meio a controvérsias: a empresa já havia operado sem autorização definitiva no início de 2025, é alvo de processos judiciais por apostadores que relatam bloqueio de valores e dificuldades para saque, e foi classificada por consultorias internacionais como um dos maiores esquemas de apostas ilegais do mundo. Tal cenário acende um alerta sobre a segurança dos consumidores brasileiros e a integridade do recém-regulado mercado de apostas.
A 1xBet estava entre as empresas autorizadas provisoriamente pelo Ministério da Fazenda a operar durante o período de adequação da regulamentação das apostas esportivas, até dezembro de 2024. No entanto, a plataforma continuou funcionando no início de 2025 sem uma licença definitiva da pasta, que só foi concedida em julho daquele ano. Essa conduta levanta questionamentos sobre a fiscalização e os critérios adotados para a liberação de empresas no setor.
PROCESSOS JUDICIAIS PREOCUPAM APOSTADORES
Segundo o Estadão, a marca 1xBet é explorada no Brasil pela Defy Ltda., empresa sediada em Caxias do Sul (RS). Em ações judiciais que tramitam em tribunais de Santa Catarina, Goiás, Minas Gerais e Rio de Janeiro, apostadores têm relatado experiências angustiantes: dificuldades para sacar valores e acusações de que a plataforma bloqueou seus ganhos. Esses casos trazem à tona a vulnerabilidade de milhares de apostadores, que veem seus recursos retidos e enfrentam batalhas legais para reaver o que lhes é devido, abalando a confiança na regulamentação do setor.
Em sua defesa nos tribunais, a Defy Ltda. alegou não ter relação com determinados domínios usados pela 1xBet, um argumento que a Justiça tem rejeitado em diversas instâncias. Contraditoriamente, o empresário Carlos Eduardo Ferreira, ligado à Defy, era visto em eventos do setor representando a 1xBet no Brasil, enquanto documentos anexados aos processos indicam conexões entre os domínios questionados e o endereço atualmente utilizado pela operação autorizada da plataforma no país.
RELATÓRIOS INTERNACIONAIS E SUSPEITAS DE ILEGALIDADE
Além das disputas judiciais em solo brasileiro, a 1xBet enfrenta sérias controvérsias internacionais. Relatórios de grupos de investigação financeira, citados pelo Estadão, associam a plataforma a operações ilegais de apostas, suspeitas de lavagem de dinheiro e até o uso de eventos esportivos falsos para movimentar apostas online. Esses documentos, divulgados após análises financeiras que envolveram a Sportradar – utilizada por entidades como Fifa, CBF e Conmebol para monitoramento de integridade –, apontam a 1xBet como uma das principais parceiras da Sportradar no mercado ilegal global de apostas.
Um relatório da Callisto Research classifica a 1xBet como “provavelmente o maior esquema de apostas ilegais do mundo” em receitas. Outro documento, da Muddy Waters Research, revela que o grupo ligado à plataforma é alvo de autoridades russas por suposta organização de jogos de azar ilegais. A íntegra de um desses documentos pode ser consultada (PDF – 4 MB).
POSICIONAMENTO DA EMPRESA E DO MINISTÉRIO
Em resposta ao Estadão, a 1xBet declarou que a operação brasileira é independente da estrutura internacional mencionada nos relatórios e que segue “os mais rígidos padrões globais de compliance, jogo responsável e governança corporativa”. A empresa reiterou que atua em conformidade com a legislação brasileira e de acordo com a autorização concedida pelo Ministério da Fazenda.
Por sua vez, o Ministério da Fazenda, em nota enviada ao Poder360, assegurou que o processo de licenciamento das bets ocorreu mediante o cumprimento das exigências previstas em lei e portaria, que estabelecem critérios jurídicos, fiscais, econômico-financeiros, técnicos e operacionais para a autorização das empresas. A pasta informou que a Defy Ltda., responsável pela operação da 1xBet no Brasil, apresentou documentos que permitiram analisar sua estrutura societária até o beneficiário final. É importante notar que as autorizações podem ser revistas, com garantia de contraditório e ampla defesa, caso surjam novos fatos que indiquem descumprimento das regulamentações do setor. Assim, a decisão, embora concedida, não é imutável e está sujeita a reavaliação diante de novas evidências.
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