FOCO NO CIDADÃO
Governo federal atua para baratear diesel em cenário de crise global
União zerou PIS/Cofins e incentiva corte de ICMS, buscando reduzir preço em até R$ 1,84 por litro; Rússia lidera importações, fornecendo 81% do combustível ao País em março e abril de 2026.
Impulsionado pela necessidade de garantir o abastecimento energético do País em meio à guerra no Oriente Médio, o Brasil ampliou drasticamente suas importações de diesel da Rússia, que agora lidera o fornecimento do combustível. Esta guinada nas compras, concentrando 81% do diesel importado em março e abril de 2026 na Rússia, busca mitigar os impactos da instabilidade geopolítica e estabilizar os custos para consumidores e transportadores.
A decisão de focar na Rússia como principal fornecedor veio após a suspensão das importações vindas da região do Oriente Médio, tradicional fonte do combustível. Segundo dados do sistema Comex Stat, do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), a dependência russa tornou-se evidente nos últimos meses, com os Estados Unidos aparecendo em segunda posição.
Entre março e abril de 2026, o Brasil importou um total de US$ 1,76 bilhão em diesel. Desse montante, a impressionante cifra de US$ 1,43 bilhão teve origem na Rússia, o que representa 81,25% das compras externas do produto. Os Estados Unidos, por sua vez, forneceram US$ 112,92 milhões, ou 6,42% do total.
A concentração aumentou ainda mais em abril de 2026, quando o País comprou US$ 924 milhões do combustível da Rússia, equivalendo a 89,84% das importações no mês. Os Estados Unidos responderam por 10,98% das compras, enquanto o Reino Unido teve participação residual.
Antes do conflito, o Brasil ainda mantinha parte das importações vindas do Oriente Médio, recebendo em março de 2026 carregamentos enviados antes do agravamento da guerra, incluindo compras dos Emirados Árabes Unidos e da Arábia Saudita. No entanto, os números mostram uma rápida escalada das compras russas: em fevereiro de 2026, o Brasil importou US$ 433,22 milhões em diesel da Rússia; esse valor subiu para US$ 505,86 milhões em março e se aproximou de US$ 1 bilhão em abril.
Medidas de Compensação
Para atenuar os efeitos da alta do diesel sobre a economia e, em especial, sobre o dia a dia de motoristas e empresas de transporte, o governo federal anunciou uma série de medidas compensatórias.
Em março de 2026, uma medida provisória foi editada, liberando R$ 10 bilhões em subsídios para a importação e comercialização do combustível. Paralelamente, um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, buscando uma redução direta no preço final.
Segundo a equipe econômica, essa desoneração tributária deve resultar em uma diminuição de R$ 0,32 por litro nas refinarias. O subsídio adicional a produtores e importadores pode gerar uma nova queda de R$ 0,32 por litro, totalizando um impacto positivo de R$ 0,64 por litro para os consumidores. A perda de arrecadação, por sua vez, foi compensada pelo aumento das receitas com royalties do petróleo, impulsionadas pela valorização internacional do barril.
Incentivo à Redução do ICMS
Em abril de 2026, o governo federal lançou um programa para incentivar os Estados a reduzirem o ICMS sobre o diesel importado. O custo dessa iniciativa é dividido entre a União e os governos estaduais, com uma estimativa de redução de R$ 1,20 por litro nas bombas e um custo total de R$ 4 bilhões em 2 meses. Dentre todos os Estados, apenas Rondônia não aderiu ao acordo.
Além disso, o governo anunciou uma subvenção extra de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido no Brasil, com impacto estimado de R$ 3 bilhões por mês. As empresas beneficiadas por essa subvenção precisarão comprovar o repasse integral da redução aos consumidores finais, garantindo que o benefício chegue ao bolso da população.
Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 11 de maio de 2026, e adaptado para o padrão do Poder360.
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