INFLAÇÃO EM ALERTA

Governo eleva projeção de inflação em 2026 devido ao El Niño, aponta secretária do Ministério da Fazenda

Secretária Débora Freire do Ministério da Fazenda
Débora Freire, secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, em Brasília.

Secretária Débora Freire, do Ministério da Fazenda, indica revisão para cima na previsão de inflação de 2026, superando a meta de 4,5%, por conta do fenômeno El Niño.

O Ministério da Fazenda revisará para cima sua projeção oficial de inflação para 2026. A decisão considera um viés de alta em relação à estimativa de 4,5% apresentada em maio, impactada pelo fenômeno climático El Niño e outros fatores, conforme revelou Débora Freire, secretária de Política Econômica do Ministério da Fazenda, nesta quarta-feira, 01/07/2026.

Em entrevista concedida ao portal Jota, Freire destacou que o governo agora tem maior clareza sobre a intensidade do El Niño, o que tende a desacelerar o arrefecimento da inflação previsto para o segundo semestre de 2026. "A gente já esperava um El Niño mais agressivo, mas agora esse cenário está se consolidando de forma mais robusta. Então, devido a isso, a gente entende que há um risco, há um vetor altista para a inflação neste ano", explicou.

A nova projeção, que ultrapassará o teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central de 4,5%, ainda assim deve permanecer aquém das estimativas do mercado. O boletim Focus do Banco Central reportou nesta semana uma previsão de inflação de 5,33% para 2026.

No que diz respeito à atividade econômica, Freire informou que a pasta observa estabilidade na projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2026, mantendo-se em 2,3%, conforme estimado em maio. Ela ressaltou, contudo, que os números finais, a serem divulgados ainda neste mês, passarão por avaliação e possíveis ajustes.

A secretária também apontou que a elevação das taxas de juros em economias avançadas impõe um cenário mais desafiador ao crescimento econômico do Brasil em 2027. Uma expectativa de taxa Selic mais elevada do que o previsto anteriormente também pode gerar repercussões na atividade econômica.

Em relação às contas públicas, Freire afirmou que o arcabouço fiscal atual cumpre seu papel na consolidação gradual das finanças do país. "Nossa expectativa é que o arcabouço fiscal faça a convergência da dívida pública no médio prazo, não no próximo ano", declarou.

Ela reconheceu a existência de desafios fiscais, citando a necessidade de conter o crescimento das despesas obrigatórias dentro do limite de alta real de 2,5% ao ano, conforme definido pelo arcabouço. Adicionalmente, Freire mencionou a importância de ampliar a formalização de trabalhadores para gerar um impacto positivo nas contribuições previdenciárias.

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