FENÔMENO SOB ANÁLISE
Especialistas descartam El Niño como causa única de ventania em SP e RJ
Especialistas esclarecem que os temporais que atingiram o Sudeste nesta quarta-feira (29/7) foram gerados por sistemas meteorológicos de curto prazo.
O forte temporal acompanhado de ventania que atingiu as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro nesta quarta-feira (29/7), deixando mortos, feridos e um rastro de destruição, ocorreu em meio ao fortalecimento do El Niño no Oceano Pacífico. Apesar da coincidência temporal, especialistas ouvidos pelo Metrópoles afirmam que o fenômeno climático não explica, por si só, o evento extremo.
Segundo os meteorologistas, a ventania que provocou quedas de árvores, desabamentos e interrupções no fornecimento de energia foi causada por sistemas meteorológicos de curto prazo, como uma área de baixa pressão e a atuação de ventos em diferentes níveis da atmosfera.
“A causa imediata dessa tempestade não foi o El Niño. O fenômeno funciona como um pano de fundo climático, aumentando ou reduzindo a frequência de determinados sistemas atmosféricos, mas não provoca um temporal isoladamente”, explica a meteorologista Andrea Ramos.
De acordo com o meteorologista do Instituto Brasileiro de Meteorologia (Inmet) Olívio Bahia, a tempestade desta quarta-feira foi resultado da combinação entre uma área de baixa pressão próxima à superfície e um padrão de ventos na média e alta troposfera. "É um processo meteorológico típico e não há, neste momento, evidência de uma ligação direta com o El Niño”, afirma Bahia.
Embora o El Niño não seja o responsável direto pelo episódio desta semana, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou o estabelecimento do fenômeno com 90% de probabilidade de atingir intensidade forte entre agosto e outubro. O cenário deve alterar o padrão de chuvas e temperaturas em todo o Brasil ao longo do segundo semestre, exigindo atenção redobrada das autoridades e da população.
Desde a tarde de quarta-feira (29/7), o Rio de Janeiro está em estágio 2 de atenção, e a Defesa Civil mantém alertas vigentes. Até o momento, o Corpo de Bombeiros registrou 158 ocorrências, incluindo quedas de árvores e desabamentos. Infelizmente, a tragédia vitimou cidadãos, com óbitos confirmados no Rio de Janeiro e em São Paulo, além de desaparecimentos que seguem sendo monitorados pelas equipes de resgate.
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