FIM DE UMA ERA

Governo de Minas Gerais fecha Hospital Colônia de Barbacena, que inspirou "Holocausto Brasileiro"

Fachada do Hospital Colônia de Barbacena
Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais. Crédito: CHPB

Instituição, símbolo de violações de direitos humanos, encerra atividades após transferência de 14 pacientes remanescentes. O local inspirou o livro "Holocausto Brasileiro".

{"blocks":[{"type":"paragraph","data":{"text":"O governo de Minas Gerais decidiu, neste domingo, 25 de maio de 2026, pelo encerramento definitivo do antigo Hospital Colônia de Barbacena (MG). A decisão visa dar um fim formal a uma instituição que se tornou um doloroso símbolo das violações de direitos humanos contra pacientes psiquiátricos no Brasil ao longo do século 20, inspirando a obra "Holocausto Brasileiro". Essa medida é importante por representar um passo concreto na superação de um capítulo sombrio da história da saúde mental no país."},{"type":"paragraph","data":{"text":"O fechamento foi viabilizado pela transferência dos últimos 14 pacientes remanescentes para uma nova unidade de saúde na própria cidade de Barbacena, conforme informado pela Agência Minas. A administração estadual ressalta que o hospital já havia descontinuado suas operações nos moldes históricos há anos, mas a conclusão da realocação desses pacientes marca o fim definitivo da estrutura remanescente do Hospital Colônia."}},{"type":"image","data":{"url":"https://static.poder360.com.br/2026/05/hospital-colonia-barbacena-credito-CHPB-1-848x477.jpg","caption":"Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais. Crédito: CHPB","alt":"Fachada do Hospital Colônia de Barbacena"}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Fundado em 1903, o Hospital Colônia de Barbacena ganhou notoriedade por suas condições degradantes e pela violência institucional. O livro-reportagem "Holocausto Brasileiro", da jornalista Daniela Arbex, publicado em 2013, aponta que cerca de 60.000 pessoas teriam morrido na instituição ao longo de sua história. A obra, baseada em vasta pesquisa documental e relatos de sobreviventes e ex-funcionários, é um marco na denúncia dos abusos cometidos. "}},{"type":"paragraph","data":{"text":"A escritora Eliane Brum, em prefácio para a obra, defende a aplicação do termo "Holocausto" para descrever a tragédia ocorrida no Colônia, argumentando que, diante da escala de mortes e da crueldade institucional, a palavra se torna precisa para contextualizar a violência que vitimou milhares de brasileiros."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"As descrições da época são chocantes: pacientes tinham suas cabeças raspadas, roupas arrancadas e perdiam seus nomes, sendo rebatizados por funcionários. Essas práticas desumanizavam os indivíduos, apagando suas identidades."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"Ao longo de décadas, o Hospital Colônia não recebeu apenas pessoas com transtornos mentais diagnosticados. Indivíduos internados por motivos sociais, familiares ou políticos, bem como mulheres consideradas indesejadas, pessoas em situação de pobreza, dependentes químicos e até mesmo indivíduos sem diagnóstico psiquiátrico, foram compulsoriamente alocados na instituição. O caso se tornou um dos pilares da luta antimanicomial no Brasil, impulsionando o debate sobre modelos de cuidado em saúde mental."}},{"type":"paragraph","data":{"text":"O encerramento definitivo do Hospital Colônia de Barbacena ocorre em um momento de transição, com a substituição progressiva do modelo manicomial por serviços de saúde mental de base comunitária. Parte da memória e da história do antigo hospital é preservada no Museu da Loucura, que funciona no mesmo complexo onde a instituição operou."}}]}

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