GEOPOLÍTICA E DEFESA

EUA reforçam influência no Golfo Pérsico com novo acordo nuclear na Arábia Saudita

Instalações nucleares e representação diplomática no Oriente Médio.
O acordo nuclear entre Washington e Riad reconfigura a balança de poder no Oriente Médio.

O movimento estratégico dos Estados Unidos visa conter o avanço chinês e russo na região, embora dispense o "padrão ouro" de inspeções nucleares.

Os Estados Unidos oficializaram um novo acordo nuclear com a Arábia Saudita, em uma manobra diplomática que visa consolidar a presença americana no Golfo Pérsico. Divulgado na terça-feira (22), o pacto é interpretado por analistas como uma resposta direta à crescente influência da China e da Rússia na região, desafiando a hegemonia histórica de Washington no Oriente Médio.

Histórico e proliferação atômica

Vitelio Brustolin, professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pesquisador de Harvard, sublinha que a iniciativa marca uma mudança de paradigma. O especialista recorda que o Tratado de Não Proliferação Nuclear, de 1968, exigia que potências como Estados Unidos, União Soviética, França, Reino Unido e China reduzissem seus arsenais. Contudo, nações como Índia, Paquistão e Coreia de Norte conseguiram desenvolver armas atômicas, enquanto o Irã avança no enriquecimento de urânio.

Mudança na doutrina americana

Desde 1974, as administrações americanas — de Carter a Biden — mantinham uma doutrina rígida que proibia aliados de enriquecer urânio ou reprocessar plutônio. O rompimento dessa norma sob a administração Trump reflete a urgência em barrar a China, que, em 2023, mediou a reaproximação entre Irã e Arábia Saudita e se consolidou como principal parceira comercial saudita.

Riscos de segurança

A preocupação central reside na ausência do chamado "padrão ouro" de segurança. O novo acordo não submete a Arábia Saudita às inspeções rigorosas da Agência Internacional de Energia Atômica. Brustolin alerta que o controle contra desvios para fins militares recairá exclusivamente sobre a diplomacia dos Estados Unidos, o que, além de alterar a dinâmica regional, pressiona o cenário político do Irã frente às monarquias do Golfo Pérsico.

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