BRASIL ABRE DIÁLOGO
Governo brasileiro abre portas para cooperação internacional contra o crime organizado, afirma Ministro Dario Durigan
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que o país está receptivo a parcerias para combater facções criminosas, em meio a classificações de terrorismo pelos EUA.
O Brasil manifestou nesta sábado, 30/05/2026, sua disposição em intensificar a cooperação internacional contra o crime organizado. O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo mantém suas “portas abertas” para qualquer nação que deseje colaborar efetivamente no combate às facções criminosas. Esta declaração surge em resposta à recente decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas na 5ª feira (28.mai.2026).
Em entrevista concedida a Fabio Graner e Thaís Barcellos, do jornal O Globo, o Ministro Durigan destacou a importância da troca de informações e de parcerias para a segurança nacional. "Se há informação por parte de qualquer outra autoridade de que tem uma facção criminosa atuando nesse ou naquele nicho, informe o Brasil. Nós somos os primeiros a querer combater", assegurou o ministro. Ele ressaltou que existe um “espírito de colaboração franqueado aos países do mundo, não só aos Estados Unidos”, reforçando o compromisso brasileiro em dialogar com todas as nações soberanas na luta contra o crime organizado.
O ministro Durigan enfatizou que o “compromisso soberano do país deve ser combater essas facções” com extremo rigor, demonstrando o empenho do governo nesta área. Ele também aproveitou para criticar aqueles que, segundo ele, se dizem “patriotas” mas fomentam ações unilaterais que acabam por prejudicar o país e sua economia, criando uma situação delicada para famílias e empresários.
Preocupações com o Pix e impactos econômicos
Uma das principais preocupações abordadas por Durigan refere-se às potenciais consequências da ação americana sobre o Pix, a infraestrutura de pagamentos instantâneos do Brasil. Existe o receio de que instituições financeiras brasileiras e a própria plataforma Pix possam se tornar alvos de instrumentos de ataque por parte dos EUA, caso sejam vistas como facilitadoras para facções criminosas. O ministro alertou que tal medida seria um ataque à soberania e a uma infraestrutura essencial, motivado por disputas políticas.
Durigan também comentou sobre a possibilidade de impactos macroeconômicos, embora não imediatos. Ele expressou receio de que a decisão unilateral possa reverter a queda recente no risco-país, sinalizando maior incerteza para investidores estrangeiros e afetando o investimento direto e o mercado de ações brasileiro. “Isso é muito ruim e isso é artificial. Simplesmente um ato unilateral, político, que cria fumaça, que cria esse sentimento, quando na verdade não há”, lamentou.
O ministro mencionou ter conversado com CEOs de grandes bancos, que já demonstram preocupação em serem alvos de possíveis ações e, por isso, estão reforçando seus protocolos de compliance e avaliações jurídicas. Durigan reiterou que o combate ao crime organizado deve focar no fluxo financeiro, pois é o que sustenta as facções. Ele defendeu que a cooperação com os EUA deve se concentrar na apreensão de drogas sintéticas e fuzis vindos dos Estados Unidos, bem como na recuperação de ativos escondidos no exterior, como em Delaware, em vez de impor medidas que criem dificuldades artificiais para o Brasil com fins eleitorais.
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