SAÚDE PÚBLICA E EUA

Donald Trump assina ordem que reduz recomendação de vacinas infantis

Frascos de vacina em ambiente hospitalar.
Mudanças no calendário de vacinação infantil geram debate sobre saúde pública e autonomia dos Estados nos Estados Unidos.

Decisão restringe calendário de imunização universal e aciona o Departamento de Justiça contra leis estaduais de obrigatoriedade.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que altera as recomendações de vacinação infantil no país, visando reduzir o número de doses de rotina e instruindo o Departamento de Justiça a contestar leis estaduais sobre o tema. A medida, formalizada na segunda-feira (10), atende a uma diretriz defendida pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e busca reverter o cronograma de imunização estabelecido anteriormente.

O que muda na rotina de imunização

A nova determinação reduz a recomendação de imunização universal de 18 para 11 doenças. Vacinas como as contra Covid-19, gripe, rotavírus, hepatite A e B, meningite bacteriana e VSR foram movidas para categorias de alto risco ou de decisão clínica compartilhada. Além disso, a ordem sugere o desmembramento de vacinas combinadas, como a MMR (tríplice viral), em doses separadas, o que exigiria maior frequência de visitas aos consultórios médicos.

Impacto prático e jurídico

Embora a Casa Branca assegure que o programa Vaccines for Children permaneça intacto, a mudança gera preocupações sobre custos indiretos e possíveis atrasos na proteção infantil. Instituições como a Blue Cross Blue Shield e a CVS afirmaram que continuarão cobrindo vacinas recomendadas pelo CDC enquanto avaliam os efeitos da diretriz. Juridicamente, a ordem abre caminho para disputas federais contra estados que mantêm exigências de vacinação em escolas, alegando conflitos com a autoridade parental e liberdades religiosas.

Reação da comunidade científica

Entidades como a Academia Americana de Pediatria (AAP), a IDSA e a NFID manifestaram forte oposição à mudança. Especialistas alertam que não existem evidências científicas que justifiquem a alteração e reforçam que as vacinas combinadas e o calendário vigente são essenciais para proteger crianças em seus períodos de maior vulnerabilidade. A ciência médica permanece unânime em refutar as alegações de ligação entre vacinas e autismo, apontando que a medida pode resultar em retrocessos na saúde pública norte-americana.

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