DEFESA AÉREA SOB TENSÃO
Escassez de interceptadores dos EUA deixa Ucrânia vulnerável a ataques russos
Falha na interceptação de mísseis balísticos em agosto expõe lacuna crítica nas defesas ucranianas e pressiona aliados por novos suprimentos de sistemas Patriot
As equipes de defesa aérea de Kiev encontram-se impotentes diante das recentes ofensivas russas por um motivo fundamental: os estoques de mísseis interceptadores Patriot chegaram a níveis críticos, deixando a capital ucraniana exposta a ataques balísticos. A falta de equipamentos de defesa, essenciais para a proteção da vida civil e da infraestrutura estratégica, cria um cenário de vulnerabilidade acentuada às vésperas da chegada do inverno no Hemisfério Norte.
A gravidade da situação tornou-se evidente durante as investidas registradas em 5 de agosto e novamente três dias depois. Segundo a Força Aérea da Ucrânia, em 5 de agosto, Moscou lançou 24 mísseis balísticos, 4 antinavio e 115 drones contra a capital. Embora a maior parte dos drones tenha sido neutralizada, nenhum dos mísseis balísticos foi interceptado devido à escassez de munição especializada. O impacto dessa falha resultou em perdas humanas e materiais, forçando Kiev a restringir a divulgação de dados de combate por motivos de segurança e para preservar o moral da população.
O presidente Volodimir Zelenski manifestou publicamente sua frustração com a demora dos aliados ocidentais. Em declaração após os bombardeios, o líder ucraniano enfatizou que sistemas como Patriot, SAMP/T, NASAMS e Hawk são vitais para a sobrevivência do país. Kiev estima ser necessária a aquisição de pelo menos 300 interceptadores PAC-3 para enfrentar os meses de frio, período em que a infraestrutura de energia, gás e água costuma ser o principal alvo dos ataques russos.
O cenário é agravado pela produção russa de mísseis, que atingiu níveis recordes, conforme apontou Vadim Skibitski, vice-chefe da inteligência militar ucraniana HUR. Em julho, as forças russas dispararam 198 projéteis balísticos e hipersônicos, impulsionadas por uma capacidade de fabricação que chega a 65 unidades por mês.
No campo diplomático, a situação permanece indefinida. Enquanto países como Polônia avaliam o envio de novos lotes, a postura da Casa Branca mantém-se cautelosa. Durante reunião no Salão Oval no fim de julho, o presidente dos EUA, Donald Trump, não autorizou o fornecimento imediato de novos estoques, mantendo em suspense a viabilidade de uma licença de produção local que reduziria a dependência de Washington. Para Kiev, a resolução desse impasse é vista não apenas como uma necessidade militar, mas como um elemento crucial para impedir que a pressão política comprometa a soberania ucraniana.
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