JUSTIÇA EM DEBATE
Ginecologista Felipe Lucas é solto um dia após prisão por crimes sexuais contra pacientes
A Justiça do Paraná soltou o médico Felipe Lucas, de 81 anos, um dia após sua prisão preventiva. Ele foi acusado de violação sexual por quatro pacientes, mas um dos principais casos foi considerado prescrito devido à sua idade. Outras investigações prosseguem.
Alerta: o texto abaixo aborda temas sensíveis como violência contra a mulher, violência doméstica e estupro. Se você se identifica ou conhece alguém que está passando por esse tipo de problema, ligue 180 e denuncie.
A Justiça determinou a soltura do ginecologista Felipe Lucas, de 81 anos, na quinta-feira, 07 de maio de 2026, apenas um dia após sua prisão preventiva em Curitiba. O médico, que já foi deputado e prefeito de Irati, enfrentava acusações de crimes sexuais durante atendimentos, mas o Poder Judiciário considerou o crime de maior destaque prescrito. A decisão, que extingue a punibilidade para um dos casos, reacende o debate sobre a morosidade judicial e o impacto na dignidade das vítimas, que lutam por justiça diante de relatos de manipulação e abuso.
Felipe Lucas foi detido na quarta-feira, 06 de maio de 2026, por um caso que remonta a 2011, em Teixeira Soares, no Paraná. Uma das pacientes relatou à Polícia Civil, em abril deste ano, que o médico a tocou indevidamente na região genital durante o trabalho de parto, parando apenas com a entrada de uma enfermeira. Este depoimento veio à tona após outras denúncias públicas contra o médico, que sempre negou as acusações.
O juiz substituto Felipe Vargas Coan, da Vara Criminal de Teixeira Soares, fundamentou a decisão de soltura na prescrição do crime. Com base no Código Penal, que prevê a redução do prazo pela metade para réus com mais de 70 anos, o período prescricional para o caso, inicialmente enquadrado como estupro de vulnerável e com previsão de 20 anos, caiu para 10 anos. Assim, o magistrado declarou a extinção da punibilidade para este episódio específico.
No entanto, a extinção da punibilidade para este caso não impede a continuidade de outras apurações em andamento. O próprio magistrado reconheceu a possibilidade de "continuidade delitiva", considerando que novas medidas contra o ginecologista podem surgir de investigações em outras comarcas onde os supostos crimes ocorreram.
A primeira denúncia que o levou a se tornar réu por violação sexual mediante fraude ocorreu em fevereiro deste ano, em Irati. Uma mulher de 24 anos relatou massagens íntimas indevidas durante um exame ginecológico de rotina, sob a alegação de "estímulo da libido", enquanto seu filho de 5 anos estava no consultório. Este caso motivou a abertura de uma nova frente de investigação, que se somou a outras duas denúncias de 2011 e 2016.
As vítimas dessas denúncias, que também relataram massagens e toques indevidos em partes íntimas, por vezes causando dores, foram ouvidas pela polícia. Seus depoimentos visam fortalecer as provas e demonstrar um padrão de comportamento do médico ao longo de décadas, apesar da prescrição dos casos mais antigos. Muitas dessas mulheres, além do trauma do abuso, expressaram receio em denunciar Felipe Lucas devido à sua influência política na região.
Defesa do médico nega acusações
A defesa do médico reiterou que ele nunca praticou "qualquer tipo de crime sexual" e prometeu buscar medidas judiciais contra o que considera calúnias. A defesa classificou a prisão inicial como "injusta e desnecessária" e celebrou o reconhecimento judicial da impossibilidade de punição no caso de 2011.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) mantém a inscrição de Felipe Lucas como regular em seu site, embora uma fonte próxima à investigação tenha informado que a Justiça aceitou um pedido da Polícia Civil de Irati para afastá-lo de suas funções. O CRM-PR não se pronunciou oficialmente sobre a investigação interna, mas a situação gera apreensão entre profissionais e pacientes.
Quem é o médico
A carreira pública de Felipe Lucas, que inclui mandatos como vereador, prefeito de Irati e deputado estadual pelo antigo PPS, destaca a complexidade do caso. Homenageado em 2024 pelo CRM-PR com o "Jubileu de Ouro" por 50 anos de medicina, sua trajetória é marcada por serviços prestados à comunidade, agora confrontados por graves acusações que abalam sua imagem e a confiança na instituição médica.
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