STF DELIBERA SOBRE MODELO

Gilmar Mendes vota por manter escolas cívico-militares em São Paulo com restrições

Ministro Gilmar Mendes do Supremo Tribunal Federal.
Gilmar Mendes, decano do STF, em entrevista ao Poder360 em seu gabinete.

Ministro Gilmar Mendes autoriza programa paulista, mas proíbe exaltação ao militarismo e exige gestão pedagógica civil. Decisão terá impacto em 2026.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), votou nesta sexta-feira, 22 de maio de 2026, pela constitucionalidade do Programa Escola Cívico-Militar do Estado de São Paulo. A decisão, que estabelece uma série de limitações ao modelo, teve início com a votação no plenário virtual do STF e tem conclusão prevista para 29 de maio de 2026. A questão importa pois define o futuro de um programa educacional em debate nacional e o papel das Forças de Segurança na formação civil.

Na sua análise, Mendes impôs restrições significativas, proibindo atividades extracurriculares que promovam a exaltação ao militarismo e às forças de segurança pública, incluindo o uso de símbolos e hinos típicos das organizações militares. Adicionalmente, determinou que quaisquer padrões de estética e uniformização deverão respeitar as manifestações culturais e religiosas brasileiras, com especial atenção aos segmentos minoritários, buscando garantir a dignidade e a diversidade de todos os estudantes.

O relator foi enfático ao estabelecer que a gestão pedagógica e administrativa das unidades de ensino deve permanecer sob a responsabilidade de profissionais civis. Militares poderão atuar apenas como auxiliares, assegurando que o foco principal do ambiente escolar permaneça no desenvolvimento educacional sob a condução de educadores.

Em outra frente, Mendes declarou inconstitucional o artigo que previa remuneração de policiais militares para atuação nas escolas. Determinou também que os recursos investidos no programa não poderão ser computados como despesas para manutenção e desenvolvimento do ensino, uma medida que busca clarificar a aplicação orçamentária.

O debate foi instaurado a partir de Ações de Inconstitucionalidade (Adis) propostas pelo Psol e pelo PT contra a legislação paulista. O programa Escola Cívico-Militar foi uma promessa de campanha do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e sua lei foi sancionada em maio de 2024, após tramitação de cerca de dois meses na Assembleia Legislativa de São Paulo. Os partidos autores das ações argumentam que a militarização de instituições civis de ensino não encontra amparo na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, contestando a competência de Estados e municípios para criar modelos próprios.

Até o momento, o voto de Gilmar Mendes é o único apresentado sobre a matéria no STF. O julgamento segue em andamento e a decisão final poderá ter repercussões para programas similares em outras unidades da federação, impactando a autonomia dos Estados na definição de suas políticas educacionais e a forma como se busca conciliar segurança e aprendizado.

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