CRIA DEZAGREGANDO
Gilmar Mendes aponta Faria Lima, não STF, como causa da crise do Banco Master
Ministro Gilmar Mendes, em entrevista à Folha de S.Paulo, criticou associações indevidas entre o Supremo Tribunal Federal e o escândalo financeiro, direcionando a responsabilidade para falhas de fiscalização e o mercado.
O ministro Gilmar Mendes afirmou, em entrevista à Folha de S.Paulo, que o escândalo envolvendo o Banco Master foi associado de forma indevida ao Supremo Tribunal Federal (STF) e classificou a crise como “sistêmica”. Mendes declarou que o problema não se concentra no tribunal e apontou supostas falhas de fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e do Banco Central do Brasil.
O STF passou a ser ligado ao caso após revelações sobre relações entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Gilmar Mendes afirmou que eventuais responsabilidades devem ser investigadas pelas autoridades competentes, declarando: “Não quero isentar de responsabilidade quem tem”. Apesar disso, argumentou que a crise do Banco Master “não está na Praça dos Três Poderes”, mas sim no mercado financeiro da Faria Lima.
Segundo o decano do STF, houve tentativa de transferir ao tribunal a responsabilidade por problemas mais amplos do sistema financeiro e de fiscalização. Gilmar Mendes citou, por exemplo, a ausência de diretores na CVM e afirmou que bancos e instituições financeiras tiveram participação central na venda de títulos ligados ao caso Master. O ministro também questionou o impacto da cobertura pública sobre a imagem do Supremo, indicando que pesquisas de opinião acabam refletindo esse desgaste institucional.
Durante a entrevista, Gilmar Mendes também comentou o debate interno sobre a criação de um novo código de ética para ministros do STF, proposta defendida pelo presidente da Corte, Edson Fachin. Segundo ele, o tema gerou “desinteligência” dentro do tribunal porque surgiu em um momento de vulnerabilidade de alguns ministros. Apesar disso, Gilmar Mendes afirmou não ser contrário à discussão sobre maior transparência em relação a ganhos com palestras e eventos.
Gilmar Mendes ainda saiu em defesa do Fórum de Lisboa, evento acadêmico conhecido informalmente como “Gilmarpalooza”. O encontro reúne ministros, autoridades, empresários e juristas em Lisboa. Questionado sobre a participação de pessoas investigadas em eventos paralelos, o ministro afirmou que os organizadores não têm controle sobre quem viaja para Portugal durante o período do fórum.
O ministro também comentou a rejeição do nome de Jorge Messias para uma vaga no STF. Segundo Gilmar Mendes, a decisão do Senado ocorreu por razões “puramente políticas” e não por falta de qualificação do indicado. O magistrado avaliou ainda que o governo Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta dificuldades de articulação política no Congresso Nacional.
Na entrevista, Gilmar Mendes também afirmou considerar necessário manter o chamado inquérito das fake news diante do atual cenário político e do acirramento eleitoral. Gilmar Mendes citou críticas feitas por parlamentares durante a CPI do Crime Organizado e afirmou que integrantes do STF e da Procuradoria-Geral da República foram alvo de acusações sem provas.
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