FALTA DE PREVISÃO DE GASTOS

Gilmar Mendes afirma que gastos sem previsão orçamentária violam a Constituição

Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Ministro do STF, Gilmar Mendes, destaca que despesas criadas sem estimativa de impacto fiscal e fonte de custeio podem ser consideradas inconstitucionais e ter sua validade questionada na Justiça.

Ministro do STF reforça obrigatoriedade de planejamento fiscal para despesas

O Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reiterou a importância da responsabilidade fiscal e declarou que propostas aprovadas pelo Congresso Nacional, que resultem na criação de despesas ou na concessão de benefícios sem uma estimativa prévia de impacto orçamentário, podem ser declaradas inconstitucionais. A manifestação ocorreu nesta quarta-feira, 10/06/2026, em sua rede social.

Governo busca conter "pautas-bomba"

A declaração surge em um contexto de debates acalorados sobre projetos com potencial de impactar significativamente as contas públicas. No dia anterior à fala do ministro, o Ministro da Fazenda, Dario Durigan, reuniu-se com o Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para discutir estratégias de contenção de pautas consideradas de alto impacto fiscal pela equipe econômica. O governo federal estima que quatro matérias em discussão no Senado podem somar R$ 276 bilhões aos cofres públicos, especialmente em um período próximo às eleições.

O que diz a Constituição e o STF

Gilmar Mendes explicou que a Constituição Federal exige a apresentação de estimativas de impacto orçamentário e financeiro para projetos que estabeleçam despesas obrigatórias ou concedam benefícios fiscais. Ele enfatizou que a ausência desses estudos prévios, que detalhem custos e fontes de financiamento, pode levar à invalidação da norma pelo STF, com base em jurisprudência já consolidada pela Corte. "É preciso, pois, ter responsabilidade fiscal e fidelidade à Constituição, evitando-se a criação de despesas casuísticas em inobservância às regras postas, o que pode gerar a invalidação da medida e, portanto, sua ineficácia", disse o ministro.

Projetos sob análise e seus impactos

A reunião entre os ministros Durigan e Alcolumbre, que contou com a presença dos Ministros José Guimarães e Bruno Moretti, abordou quatro temas principais:

  • Renegociação das dívidas dos produtores rurais: Projeto de lei com impacto estimado em R$ 120 bilhões em 10 anos, já aprovado pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e previsto para pauta do Senado.
  • Aposentadoria integral para agentes de saúde e de combate às endemias: Proposta de Emenda à Constituição (PEC) com impacto estimado em R$ 99 bilhões, aprovada pela Câmara dos Deputados e aguardando análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.
  • Novo piso salarial para médicos e cirurgiões-dentistas: Projeto com impacto fiscal calculado em R$ 47 bilhões, que tramita em caráter terminativo na Comissão de Assuntos Sociais.
  • Ampliação dos repasses ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM): Discussão de PEC com impacto estimado em R$ 10 bilhões apenas em 2026.

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