IA ENTRA EM BOLSA
Gigantes da IA se preparam para o escrutínio de Wall Street com IPOs
OpenAI, Anthropic e SpaceX se aproximam de ofertas públicas iniciais. A pressão por crescimento trimestral e a exigência de transparência prometem transformar a dinâmica dessas empresas.
Gigantes da inteligência artificial (IA) como OpenAI, Anthropic e SpaceX se preparam para um novo capítulo em suas trajetórias: a entrada no mercado de ações. Com planos de realizar ofertas públicas iniciais (IPOs), essas empresas, avaliadas em centenas de bilhões de dólares, em breve terão Wall Street como principal instância a quem prestar contas. A OpenAI, criadora do ChatGPT, é a mais recente a anunciar essa movimentação, seguindo os passos da Anthropic, que confidencialmente protocolou um pedido de IPO na semana passada. A SpaceX, que engloba a empresa de IA de Elon Musk, a xAI, também tem estreia prevista no mercado nesta sexta-feira (12).
Essas ofertas públicas iniciais prometem fornecer a visão mais detalhada até o momento sobre o dinâmico e em expansão mercado de IA. Espera-se que movimentem centenas de bilhões de dólares através da venda massiva de ações. No entanto, a entrada no universo das companhias de capital aberto significa que seus negócios, que já se aproximam de avaliações na casa de um trilhão de dólares, estarão sujeitos a um escrutínio financeiro sem precedentes. Wall Street impõe uma exigência implacável de crescimento explosivo a cada três meses, um cenário que pode se mostrar desafiador para as empresas de tecnologia.
"Expectativas que parecem administráveis em mercados privados podem se tornar implacáveis sob o olhar atento da propriedade pública", alertou Nigel Green, CEO da deVere Group. Essa mudança de paradigma significa que a pressão por resultados trimestrais elevados será intensa, com pouca margem para falhas ou resultados abaixo do esperado. As empresas terão que demonstrar um crescimento estrondoso de forma consistente para satisfazer os investidores.
O setor de semicondutores, crucial para o avanço da IA, já demonstra a intensidade dessas expectativas. A Broadcom, parceira da OpenAI e da Anthropic, reportou crescimento impressionante de receita de 48% no segundo trimestre e projeções de 180% para o segmento de semicondutores. Contudo, mesmo esses números não foram suficientes para evitar uma queda de mais de 13% em suas ações na semana passada, marcando sua pior semana desde setembro de 2024. Esse episódio reflete a ânsia do mercado por 'mais', como destacou Stacy Rasgon, analista da Bernstein. "As pessoas querem mais. Elas sempre querem mais."
Até mesmo a Nvidia, a empresa de capital aberto mais valiosa do mundo, já sentiu o peso desse escrutínio. Em janeiro de 2025, a fabricante de chips de IA viu seu valor de mercado cair US$ 600 bilhões em um único dia, após o surgimento de concorrentes como a chinesa DeepSeek. Esse episódio evidencia que mesmo líderes de mercado não estão imunes à pressão por inovação e crescimento contínuos.
A OpenAI e a Anthropic, em particular, provavelmente enfrentarão padrões semelhantes. O desempenho de seus negócios servirá como termômetro para o setor de IA como um todo. Analistas acompanharão de perto a capacidade de ambas as empresas em sustentar seus massivos investimentos em infraestrutura de IA. Embora dados recentes de ambas apontem para um crescimento robusto – a OpenAI anunciou US$ 122 bilhões arrecadados e receita mensal de US$ 2 bilhões, enquanto a Anthropic alcançou uma avaliação de US$ 965 bilhões e US$ 47 bilhões em receita recorrente –, a transparência sob o olhar público será fundamental.
O ChatGPT, por exemplo, atingiu a marca de um bilhão de usuários em tempo recorde de aproximadamente três anos, superando nomes como Google Maps, TikTok e YouTube. A velocidade de adoção da tecnologia demonstra seu potencial disruptivo, mas agora, com a entrada em bolsa, a sustentabilidade desse crescimento e a monetização eficaz se tornam pontos cruciais de atenção. A competição entre as empresas também será posta à prova, com a fintech Ramp indicando que, em maio, mais empresas utilizaram a Anthropic do que a OpenAI.
O IPO pode sinalizar a confiança das empresas em suas estratégias de lucratividade. No entanto, o caminho pós-IPO exigirá que executivos como Sam Altman, CEO da OpenAI, e Dario Amodei, CEO da Anthropic, detalhem publicamente o futuro de seus negócios. Questões sobre atrasos no lançamento de novos modelos, a conversão de tecnologia em produtos pagos e até mesmo mudanças de rota em projetos, como o encerramento do aplicativo de vídeo Sora pela OpenAI, enfrentarão um nível de questionamento muito mais intenso. "Os mercados públicos raramente oferecem esse luxo [de esperar anos pelos resultados]", conclui Nigel Green.
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