ISENÇÃO PROVISÓRIA

França suspende exigência de visto para brasileiros na Guiana Francesa em caráter experimental

Chanceler brasileiro Mauro Vieira e o ministro francês Jean-Noël Barrot em solenidade no Palácio do Itamaraty.
Chanceler brasileiro Mauro Vieira e o ministro francês Jean-Noël Barrot em solenidade no Palácio do Itamaraty.

Decisão anunciada nesta quarta-feira (1º) pelo Itamaraty, em Paris, visa facilitar a entrada de brasileiros por até 30 dias. Medida é aguardada por políticos do Amapá e busca também combater o crime na fronteira.

A França deixará de exigir visto, ao menos provisoriamente, de brasileiros que entrarem na Guiana Francesa. A decisão, oficializada nesta quarta-feira, 01/07/2026, no Palácio do Itamaraty, visa facilitar a entrada de pessoas por até 30 dias em um período de seis meses. A medida é vista como um avanço significativo para a região fronteiriça e para a cooperação entre Brasil e França.

Apesar de ser um território ultramarino francês, a entrada na Guiana Francesa obedecia a regras distintas das da Europa, exigindo visto para brasileiros. Com a mudança, a isenção se aplica em caráter experimental, conforme anunciado anteriormente pelo presidente francês, Emmanuel Macron, em junho de 2025. A iniciativa busca não apenas agilizar o trânsito, mas também fortalecer a segurança e o intercâmbio socioeconômico.

A isenção foi formalizada durante visita do ministro francês da Europa e dos Negócios Estrangeiros, Jean-Noël Barrot, ao chanceler brasileiro, Mauro Vieira. Em ato conjunto assinado pelos dois ministros, fica estabelecido que o experimento poderá ser suspenso a qualquer momento, mediante monitoramento conjunto das instâncias de diálogo.

Mauro Vieira destacou que a dispensa do visto incentivará a travessia legal e contribuirá para o desenvolvimento do Amapá e da Guiana Francesa, além de auxiliar no combate ao crime na fronteira. "Temos uma fronteira e uma responsabilidade comum. Queremos ter essa segurança da nossa população e favorecer o desenvolvimento desse território", afirmou o ministro francês, ressaltando a importância da cooperação bilateral.

A medida, há tempos demandada por políticos do Amapá, como o governador Clécio Luis (União) e o líder do governo no Congresso Randolfe Rodrigues (PT-AP), além do presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP), é parte de um plano mais amplo de cooperação em segurança pública. A Guiana Francesa, por estar no continente sul-americano, faz com que o Brasil compartilhe a maior fronteira terrestre da França, reforçando a relevância estratégica da relação.

Em um gesto simbólico, os ministros trocaram camisas das seleções nacionais, aludindo à Copa do Mundo. A proximidade entre o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e Emmanuel Macron, também é um fator que favorece a concretização de acordos como este, visto por Clécio Luis como uma 'porta de entrada do Brasil para a União Europeia'.

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