DEFESA CONTRA TARIFAS

Flávio Bolsonaro defende interesses brasileiros nos EUA e critica Lula

Senador Flávio Bolsonaro discursando em evento nos EUA.
Senador Flávio Bolsonaro em evento nos Estados Unidos.

Senador participa de audiência no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) em Washington, defendendo produtos nacionais e acusando o governo Lula de prejudicar o comércio bilateral. Decisão final sobre tarifas é esperada para 15 de julho.

O senador Flávio Bolsonaro rebateu, nesta segunda-feira, 06/07/2026, críticas de que sua participação em audiências nos Estados Unidos possa prejudicar as negociações comerciais. Em Washington, onde falará nesta terça-feira (7/7) no Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), o parlamentar afirmou que sua presença visa "defender os interesses do povo brasileiro" e atribuiu ao presidente Lula a responsabilidade pela crise comercial.

"Eu estou aqui para defender os interesses do povo brasileiro, mesmo sem ser o presidente do Brasil, ainda", declarou o senador em vídeo divulgado à imprensa. Ele contestou as acusações de que estaria atrapalhando as negociações: "E vejo notícias dizendo que posso atrapalhar. Está de brincadeira!"

A postura de Flávio Bolsonaro sugere uma tentativa de mudança na abordagem do clã Bolsonaro frente à ofensiva econômica norte-americana. No ano anterior, seu irmão, Eduardo Bolsonaro, manifestou apoio às tarifas impostas ao Brasil. Documentos enviados por uma comissão presidida por Flávio Bolsonaro ao ex-assessor do Supremo Tribunal Federal (STF) Eduardo Tagliaferro, que posteriormente chegaram à Embaixada dos EUA no Brasil, também foram citados. O senador argumentou que não poderia impedir os americanos de impor tarifas, mesmo com o envio desses documentos.

O empresariado brasileiro, contudo, demonstra apreensão. Há temor de que as ações de Flávio possam interferir nas negociações técnicas e nos esforços diplomáticos do governo Lula, que atuam em fóruns distintos. A audiência na USTR representa a etapa final de uma investigação comercial americana, antecedendo a decisão definitiva sobre a aplicação de tarifas, prevista para 15 de julho.

Flávio Bolsonaro será o primeiro a discursar em um painel que abordará as sobretaxas consideradas pelo governo dos EUA para produtos brasileiros. Representantes de entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Abicalçados também participarão. O senador planeja apresentar argumentos técnicos e políticos contrários à medida, e pretende defender a relevância do Pix para os brasileiros durante sua fala.

Em sua estratégia, Flávio Bolsonaro pretende argumentar que uma eventual mudança de governo em 2027 poderia reestabelecer laços mais fortes entre Brasil e Estados Unidos, atualmente governados por Donald Trump. "Enquanto eu defendo os brasileiros, Lula defende os bandidos brasileiros", acusou o senador.

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