VIOLÊNCIA DIGITAL INFANTIL
Registros de abuso sexual infantil no ambiente digital crescem 25% no Brasil
Análise inédita do 20° Anuário Brasileiro de Segurança Pública revela que um terço dos crimes é cometido por adolescentes contra seus próprios pares.
Os registros de produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil cresceram 25% no Brasil durante o ano de 2025. O dado foi consolidado pelo 20° Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na quarta-feira (23), ao analisar o impacto das novas dinâmicas de violência no ambiente digital sobre a proteção de menores.
Esta foi a primeira vez que o estudo avaliou especificamente essa modalidade criminosa. Um dos pontos centrais identificados pelos pesquisadores é que um terço das ocorrências (34,2%) envolve autores adolescentes, caracterizando um cenário de violência entre pares. Para Cauê Martins, coordenador de Infância e Juventude do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo, o fenômeno está intrinsecamente ligado à ampliação do acesso a redes sociais e comunidades virtuais que disseminam discursos de misoginia e dominação.
A gravidade da situação reflete-se no perfil das vítimas: 84,2% são meninas, com a incidência aumentando significativamente a partir dos 12 anos. Em 2025, foram contabilizados 4.063 casos envolvendo vítimas de até 17 anos, um salto expressivo em relação às 3.280 ocorrências observadas em 2024.
O relatório aponta que a ausência de mecanismos regulatórios eficazes para as plataformas digitais permitiu a consolidação de ambientes nocivos. Segundo os especialistas, enfrentar essa realidade exige uma regulação rigorosa das empresas de tecnologia para conter a sexualização precoce e a radicalização online.
Além do abuso digital, o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública indica que a violência contra crianças e adolescentes dentro dos lares também mantém trajetória de alta. Os crimes de maus-tratos, por exemplo, registraram 38.986 casos em 2025, uma elevação de 106,1% na comparação com 2021. Para especialistas, esses números expõem a persistência de práticas disciplinares violentas, que desafiam os princípios fundamentais protegidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
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