SAÚDE E DIGNIDADE

Gareth Thomas defende testagem em massa como arma contra o HIV

Gareth Thomas em participação na Conferência Internacional de AIDS
Gareth Thomas: ex-jogador de rugby e ativista na luta contra o estigma do HIV

Atleta destaca que tratamento eficaz impede transmissão do vírus e reforça a necessidade de combater o estigma social.

O ex-jogador de rugby Gareth Thomas afirmou que a ampliação da testagem da população é o caminho mais eficaz para erradicar novos casos de HIV. Em entrevista concedida durante a 26ª Conferência Internacional de AIDS (AIDS 2026), realizada no Rio de Janeiro, o ativista enfatizou que o conhecimento sobre a própria condição sorológica é o primeiro passo para garantir qualidade de vida e interromper a cadeia de transmissão do vírus.

Thomas, que revelou publicamente seu diagnóstico em 2019, tornou-se um dos principais nomes no combate à discriminação. O ex-atleta sustenta que o estigma e o preconceito são alimentados por uma desinformação persistente, que ignora os avanços científicos conquistados nas últimas décadas. Segundo ele, o medo do julgamento social ainda afasta muitas pessoas dos centros de diagnóstico.

“Encontrem forças para fazer o teste. Saber sua condição sorológica é fundamental e, caso o resultado seja positivo, é possível viver uma vida normal, feliz e saudável. O HIV não me limita de forma alguma”, declarou Thomas. Ele utiliza sua própria rotina — que inclui provas de Ironman e maratonas — como exemplo de que a carga viral indetectável permite uma trajetória plena, alinhada ao conceito científico de Indetectável = Intransmissível (I=I).

A urgência da mensagem é corroborada por dados preocupantes. Uma pesquisa nacional inédita, realizada pela campanha Tackle HIV em 2026, revelou que apenas 29% dos brasileiros sabem que pessoas com carga viral indetectável não transmitem o vírus por via sexual. Além disso, 36% da população ainda acredita erroneamente que homens heterossexuais não correm risco de contrair o vírus, evidenciando uma lacuna educacional que ainda precisa ser superada no Brasil, país com a maior prevalência de HIV na América Latina.

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