SAÚDE PÚBLICA EM ALERTA

Alerta global aponta risco de retrocesso no combate ao HIV e aumento de casos no Brasil

Imagem ilustrativa sobre o combate à epidemia de HIV e AIDS.
Relatório do UNAIDS alerta para o risco de ressurgimento da epidemia de HIV no mundo.

Relatório do UNAIDS indica que falhas na prevenção e cortes financeiros ameaçam meta de erradicação até 2030, enquanto o Brasil registra crescimento de novos diagnósticos.

O combate à epidemia de HIV enfrenta um momento crítico em todo o mundo. A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou, por meio de um novo relatório do UNAIDS, que a meta de eliminar a doença como ameaça à saúde pública até 2030 corre sério risco devido ao desfinanciamento internacional e ao enfraquecimento das políticas de prevenção.

Embora as mortes relacionadas à AIDS estejam no menor patamar das últimas três décadas, o cenário atual preocupa especialistas. O Brasil, que historicamente se destaca como referência mundial no acesso ao tratamento pelo SUS, integra agora a lista de 21 nações que observam um aumento preocupante na incidência de novos casos de HIV.

A infectologista Beatriz Grinsztejn, presidente da IAS (International AIDS Society) e diretora do Laboratório de Pesquisa Clínica em IST e Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz, explica que o crescimento dos casos no país está atrelado a múltiplos fatores. Entre eles, a pesquisadora destaca o impacto direto da pobreza e do racismo na vulnerabilidade das populações mais expostas ao vírus, além da redução dos investimentos em programas de conscientização e assistência.

A análise, apresentada em entrevista ao podcast O Assunto, com apresentação de Victor Boyadjian, aponta que o retrocesso não é apenas biológico, mas social e político. A fragilização de direitos e o estigma ainda presente na sociedade dificultam o alcance das estratégias de testagem e a adesão aos medicamentos, ferramentas que poderiam evitar novas infecções.

Enquanto a ciência evolui para transformar a infecção em uma condição tratável e de baixo impacto na expectativa de vida, o desafio permanece no campo da equidade. A falta de acesso e a restrição de direitos básicos tornam o controle do HIV um teste urgente para as políticas públicas de saúde no Brasil.

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