SAÚDE PÚBLICA EM ALERTA
Fiocruz alerta: RN e Natal em risco por vírus respiratórios
Levantamento da Fundação Oswaldo Cruz aponta crescimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), impulsionada por influenza A e VSR, com mais de 51 mil casos notificados em 2026 no País.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertou, nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, que o Rio Grande do Norte se encontra em nível de alerta, risco ou alto risco para a incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), conforme a nova edição do Boletim InfoGripe. A preocupante constatação revela uma tendência de crescimento nas últimas semanas, impulsionada principalmente pela circulação da influenza A e do Vírus Sincicial Respiratório (VSR). Este cenário impacta diretamente a saúde pública, exigindo atenção redobrada das autoridades e da população para prevenir casos graves e óbitos, especialmente entre crianças e idosos.
O levantamento da Fiocruz considerou a Semana Epidemiológica 17, que compreendeu os dias 26 de abril e 2 de maio. Além do RN, outros estados como Acre, Alagoas, Amazonas, Distrito Federal, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina também apresentaram sinal de crescimento da SRAG.
Natal, a capital potiguar, igualmente figura entre as 18 capitais brasileiras classificadas com nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, exibindo uma tendência de crescimento a longo prazo.
Segundo a própria Fiocruz, o aumento de casos já era esperado devido à sazonalidade dos vírus respiratórios, cujo pico costuma ocorrer em meados de maio. Contudo, em 2026, o avanço da influenza A começou mais cedo, com destaque para as regiões Norte e Nordeste. Apesar desse início precoce, o boletim já sinaliza uma tendência de queda da influenza A em algumas partes do Nordeste, incluindo o Rio Grande do Norte.
A pesquisadora Tatiana Portella, integrante do Programa InfoGripe da Fiocruz, ressaltou que os níveis da influenza A permanecem elevados em diversos estados, o que exige vigilância. “A influenza A permanece em níveis elevados em diversos estados, o que reforça a importância da vacinação, especialmente entre os grupos de maior risco, para prevenir casos graves e óbitos”, alertou.
O boletim também chama a atenção para o crescimento dos casos de SRAG associados ao VSR, um vírus que afeta predominantemente crianças menores de 2 anos. O aumento constante dos casos de VSR é observado em estados de todas as regiões do País, e o Rio Grande do Norte não é exceção.
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas analisadas, entre os casos positivos de SRAG registrados no Brasil, o Vírus Sincicial Respiratório foi responsável por 38% das ocorrências, seguido pela influenza A, com 28,9%, e o rinovírus, com 26,8%. A influenza B respondeu por 3,7% e o Sars-CoV-2 por 3,1%.
Já entre os óbitos notificados no mesmo período, a influenza A foi a principal causa em 49,2% dos casos positivos, à frente do rinovírus (19,5%), Covid-19 (14,1%), Vírus Sincicial Respiratório (7,8%) e influenza B (4,3%).
O InfoGripe sublinha que a incidência de SRAG continua mais elevada entre crianças pequenas, principalmente por causa do VSR e do rinovírus. A mortalidade, por sua vez, permanece maior entre idosos, associada sobretudo à influenza A e à Covid-19.
Em 2026, o País já notificou 51.794 casos de SRAG. Desses, 23.213 tiveram resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Entre os casos confirmados, 26,4% foram de influenza A, 23,2% de VSR, 37,4% de rinovírus e 8% de Covid-19.
O Boletim InfoGripe integra uma estratégia essencial do Sistema Único de Saúde (SUS) para o monitoramento contínuo dos casos de SRAG no País, fornecendo dados cruciais para auxiliar as vigilâncias em saúde na definição de ações prioritárias de resposta e proteção à população.
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