DIGNIDADE NO TRABALHO

Fim da escala 6x1: Câmara avança por jornada de 40h para brasileiros

Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, fala durante evento sobre o fim da escala de trabalho 6x1.
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, participou da "Corrida da Câmara" e falou sobre a proposta para os trabalhadores. (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

Presidente Hugo Motta anuncia consenso para dois dias de descanso remunerado e jornada de 40h semanais. Votação prevista para maio.

A Câmara dos Deputados deverá apresentar, nas próximas semanas, uma proposta de consenso para o fim da escala de trabalho 6x1. A iniciativa, anunciada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), neste domingo, 17 de maio de 2026, busca unificar as posições divergentes sobre o tema e atender a uma demanda prioritária da população brasileira, visando assegurar melhores condições de vida e trabalho para milhões de pessoas. A expectativa é que o texto garanta dois dias de descanso remunerado por semana e reduza a jornada de 44 para 40 horas, sem cortes salariais.

Hugo Motta enfatizou que a elaboração da proposta envolverá diversos setores, configurando-se como uma questão nacional, não restrita a partidos ou ao governo. "Vamos sentar para fazer um texto de convergência. É uma matéria que não pertence a um partido ou ao governo. Pertence ao país. Se nós pudermos dar uma demonstração de unidade em torno desse tema, que é prioridade para mais de 70% da população brasileira, penso que é mais uma demonstração que a Câmara dará de estar totalmente ligada com o que a população brasileira espera de nós", declarou após participar da "Corrida da Câmara".

O debate em torno da redução da jornada de trabalho é marcado por intensas discussões entre o governo federal e a oposição, além de distintas visões dentro do próprio Executivo sobre o processo de transição.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, manifestou-se contrário a qualquer medida de transição, classificando-a como uma forma de "postergar" a implementação da mudança. Em contraste, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, embora "radicalmente" contra a compensação das empresas pelo fim da jornada 6x1, reconhece a possibilidade de debater a transição em cenários específicos.

O setor privado, por sua vez, defende a transição e pleiteia compensações do governo, argumentando que a medida pode elevar os custos operacionais e, consequentemente, impulsionar a informalidade no mercado de trabalho. A oposição sugere uma transição de quatro anos para a efetivação da redução da jornada.

O parecer do relator Leo Prates (Republicanos-BA) tem previsão de apresentação para a próxima quarta-feira, 20 de maio de 2026. Hugo Motta expressou a intenção de submeter o tema à votação ainda neste mês. Segundo ele, há um entendimento com o governo para que o texto final garanta os dois dias de descanso semanal remunerado e a jornada de 40 horas, mantendo a integridade salarial dos trabalhadores.

"Nossa prioridade agora, para o mês de maio, queremos até o final do mês entregar a redução da jornada de trabalho a todos os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil", reiterou Motta ao final da corrida.

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