SAÚDE MENTAL NAS EMPRESAS

FIERN e TRT-RN discutem prevenção de riscos psicossociais no trabalho

Representantes da FIERN e do TRT-RN em reunião.
Reunião da FIERN discute riscos psicossociais nas relações de trabalho.

Desembargadora do TRT-RN apresenta alterações na NR-1. Nova norma amplia responsabilidade empresarial na identificação e prevenção de assédio e estresse ocupacional. Programa 'Mente Segura na Indústria' é lançado como apoio.

A Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (FIERN) debateu, em reunião de diretoria realizada na Casa da Indústria, a prevenção de riscos psicossociais nas relações de trabalho. A discussão ganhou destaque com a apresentação da desembargadora Isaura Simonetti, vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN), sobre as atualizações da Norma Regulamentadora 1 (NR-1). A decisão de aprofundar o tema reflete a crescente preocupação com a saúde mental dos trabalhadores e a necessidade de adaptação das empresas a um novo cenário regulatório e social. A relevância da discussão se manifesta no impacto direto sobre a dignidade do trabalhador e na sustentabilidade das organizações.

A atualização da NR-1, que passou a vigorar em 26 de maio deste ano, expande as obrigações das empresas. Agora, elas são responsáveis por identificar e prevenir fatores de risco psicossocial, como assédio, estresse ocupacional, excesso de jornada e sobrecarga de trabalho. Essas questões podem comprometer seriamente a saúde mental dos empregados. A norma busca garantir um ambiente de trabalho mais saudável, protegendo a dignidade humana e o bem-estar dos indivíduos.

Reunião da FIERN para debater riscos psicossociais no trabalho.
Desembargadora Isaura Simonetti apresentou as mudanças na NR-1.

Isaura Simonetti, que integra a Primeira Turma de Julgamento do TRT-RN desde 2024, ressaltou a importância do tema, citando que "nos últimos meses, foram concedidos mais de 550 mil benefícios previdenciários amparados por afastamentos ligados a transtornos mentais". Ela explicou que a NR-1, antes focada em riscos físicos, foi adaptada à nova realidade das relações de trabalho, que demanda atenção a aspectos psicológicos.

A desembargadora esclareceu que a NR-1 não impõe a garantia de felicidade ou bem-estar emocional absoluto, nem a eliminação de todos os conflitos ou pressão inerente ao trabalho. O foco é a identificação e avaliação de riscos psicossociais existentes, a implementação de medidas de prevenção e controle, e a documentação desses processos. "O que é exigido é a identificação de riscos psicossociais existentes, a avaliação da probabilidade e gravidade, medidas de prevenção e controle, bem como a documentação e revisão periódica desses riscos", detalhou Isaura.

Quanto à atuação da Justiça do Trabalho, Simonetti enfatizou que o foco não é penalizar a cobrança legítima, mas a forma como ela é exercida. "Não se penaliza a cobrança legítima, mas a forma como ela é exercida. Metas, cobrança, exigência e gestão por desempenho não são o problema. O que gera risco jurídico é humilhação e exposição pública, assédio moral e sexual, ausência de limites e de descanso e a pressão desproporcional e constante", pontuou. A pergunta central, segundo ela, é se a organização do trabalho pode gerar riscos evitáveis.

Ela concluiu que a norma tem um caráter preventivo, visando a sustentabilidade das empresas. "O norte da norma não é a punição, mas o caráter preventivo como uma ferramenta em favor das empresas. Isso tem relação, inclusive, com a sustentabilidade das empresas", afirmou.

Roberto Serquiz, presidente da FIERN, destacou a relevância do tema para o setor empresarial e a utilidade da apresentação para as lideranças. Ele mencionou os desafios regulatórios trabalhistas que preocupam a indústria e a necessidade de tempo para a adequação às novas normas. "Estamos diante de diversos desafios regulatórios no âmbito trabalhista, que têm preocupado a indústria. A preocupação das indústrias também envolve o tempo disponibilizado para a adequação à nova norma. Na história do país, as grandes mudanças estruturais no âmbito trabalhista demandaram tempo para adequação e transição", comentou Serquiz.

Na ocasião, a superintendente do SESI-RN, Danielle Mafra, apresentou o programa Mente Segura na Indústria. A iniciativa visa atender às novas exigências da NR-1, integrando o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), os Programas de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e o Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho (LTCAT), além de ferramentas de monitoramento específicas.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário