LEITE DISPARA DE NOVO
FGV: preço do leite volta a pressionar bolso do consumidor em maio
Mesmo com desaceleração geral do IPC-10, o leite longa vida subiu 13,85% em maio, impactando o orçamento familiar já apertado.
O custo de vida no Brasil sofre um novo golpe. A Fundação Getulio Vargas (FGV) revelou, nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, que o preço do leite longa vida disparou 13,85% em maio, tornando-se o principal vetor da pressão inflacionária do mês. Este aumento, impulsionado por uma complexa combinação de custos de produção, elevação de combustíveis e impactos climáticos, afeta diretamente o orçamento de milhões de famílias brasileiras, que veem um item básico de sua cesta alimentar ficar mais caro.
Mesmo com a influência do leite, o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-10) demonstrou uma desaceleração geral, passando de 0,88% em abril para 0,68% em maio. Este dado, apesar da alta isolada de alguns produtos, sugere uma moderação em outras frentes do consumo.
Além do leite, outros produtos também exerceram influência sobre a inflação: a energia elétrica residencial, o perfume, a gasolina e o gás de botijão. Em contrapartida, itens como passagem de ônibus urbano, café em pó, etanol, maçã e celular contribuíram para mitigar a escalada de preços. A FGV destaca que a maioria das classes de despesa registrou alívio no mês, em particular Transportes e Alimentação, exceção feita ao leite.
O Impacto Duradouro e as Causas
O cenário de alta no preço do leite não é isolado em maio de 2026. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o produto já acumula uma elevação de até 20% nos últimos meses em todo o país. Em abril, por exemplo, o leite longa vida havia registrado um aumento de 13,66%, figurando entre os principais impactos sobre a inflação dos alimentos.
O IBGE aponta que essa escalada de preços tem raízes multifatoriais. Aumento nos custos de produção e transporte são fatores-chave, diretamente ligados à elevação dos combustíveis. O cenário internacional, com a intensificação das tensões no Oriente Médio, desempenha um papel crucial ao pressionar o preço do petróleo globalmente.
No Brasil, a repercussão é imediata: a gasolina subiu 1,86% em abril e o diesel avançou 4,46%, elevando o custo do frete e, por consequência, o valor final dos produtos nas gôndolas. Adicionalmente, a redução na oferta de leite, uma consequência da seca que assolou o país no fim de 2025 e início de 2026, prejudicou as pastagens e forçou os produtores a investirem mais em alimentação suplementar para o gado, repassando esses custos ao consumidor. Este ciclo de aumentos desafia o acesso a um alimento básico e impacta a qualidade de vida de muitas famílias.
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