PREJUÍZO BILIONÁRIO AGRO
Farsul revela R$ 7,2 bilhões de prejuízo no agronegócio
Alta do diesel impacta custos de produção e a inflação no Brasil. Valor do combustível subiu 23% desde fevereiro, impulsionado pelo conflito no Oriente Médio.
A Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul) revelou nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, um prejuízo alarmante de R$ 7,2 bilhões para o agronegócio brasileiro. Este impacto devastador é uma consequência direta da escalada dos preços do diesel, desencadeada pelo conflito no Oriente Médio, e ameaça a estabilidade econômica do país, afetando a mesa de milhões de brasileiros.
De acordo com o levantamento, que analisou dados desde 27 de fevereiro, quando o litro do diesel custava R$ 6,13, até 10 de abril, alcançando R$ 7,55, cada aumento de R$ 0,25 no combustível gera um impacto de R$ 1,3 bilhão nos custos do setor.
Desde o início do conflito, o diesel acumula uma alta de 23% em seu valor, atingindo severamente a cultura da cana-de-açúcar, cujos custos de produção subiram R$ 355 por hectare neste período.
Outras culturas também sentiram o peso do salto nos preços. O custo de produção do arroz aumentou R$203,85 por hectare, o do algodão R$80,95 por hectare, o milho 1ª safra R$ 75,75 por hectare, a 2ª safra R$40,33 por hectare, o Trigo R$47,94 por hectare e a soja R$ 42,74 por hectare.
Em termos de valores totais, os setores mais prejudicados foram o de cana-de-açúcar, com um prejuízo de R$ 3,39 bilhões, e a soja, com R$ 2,06 bilhões. As perdas também foram significativas para o milho primeira safra (R$ 375,9 milhões), milho segunda safra (R$ 732,6 milhões), arroz (R$ 320,7 milhões), algodão (R$ 161,7 milhões) e Trigo (R$ 113,4 milhões), consolidando o impacto total de R$ 7,2 bilhões para o agronegócio.
O aumento do diesel repercutiu ainda no IPCA, que registrou alta de 0,88% em março, e na inflação de alimentos, que atingiu 1,56% no mesmo mês. O estudo da Farsul estima que, sem a manutenção do PPI (Preço de paridade de Importação), o prejuízo ao setor poderia ter sido ainda maior, chegando a R$ 11,2 bilhões, com o litro do diesel R$ 2,22 mais caro.
Caminhos para a mitigação
No Congresso Nacional, tramita o PLP (Projeto de Lei Complementar) 114/2026, uma iniciativa que busca atenuar os impactos da alta energética, motivada pelo conflito no Oriente Médio, por meio de renúncias fiscais. O objetivo é oferecer um alívio financeiro ao setor produtivo.
A relatora do projeto, a deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), assegurou nesta terça-feira, 05 de maio de 2026, que a proposta, caso aprovada, respeitará a norma constitucional que garante vantagem fiscal aos biocombustíveis. Contudo, a parlamentar não confirmou a data para a votação do PLP, mantendo o setor em expectativa.
Sob a supervisão de Luciana Franco.
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