CLAMOR POR JUSTIÇA

Família Castanheira homenageia Rodrigo em data de luto e luta

Rodrigo Castanheira
Rodrigo Castanheira, que completaria 17 anos nesta quinta-feira (30/04)

Ex-piloto Pedro Turra terá audiência de instrução em 25 de maio, após agressão que vitimou adolescente.

Em um misto de dor e clamor por justiça, familiares e amigos homenagearam Rodrigo Castanheira nesta quinta-feira, 30 de abril de 2026, data em que o jovem completaria 17 anos. As manifestações nas redes sociais, que marcaram o luto pela perda de Rodrigo em janeiro deste ano após ser agredido, coincidem com um importante avanço no processo judicial: a Justiça do DF designou a audiência de instrução de Pedro Arthur Turra Basso, ex-piloto de Fórmula Delta acusado pela agressão que levou à morte do adolescente, para 25 de maio. Este passo crucial no rito do Tribunal do Júri representa uma esperança por respostas e reparação para a família Castanheira e para a sociedade que acompanha o caso.

A mãe de Rodrigo, Rejane Fleury, desabafou sobre a dor insuportável de viver este dia sem o filho. “Meu coração está em pedaços. Minha dor não cabe na minha alma. Estamos sofrendo muito com a sua ausência. Nenhuma mãe deveria sentir essa dor que corrói os ossos e dói na alma. Te amo, meu Digão, pra todo o sempre”, escreveu em suas redes sociais, expressando um sentimento que ecoa em muitas famílias vítimas de violência.

Isabella Castanheira, irmã do adolescente, também prestou uma homenagem emocionada. Em uma publicação que tocou muitos, ela relembrou a brutalidade do crime que interrompeu a vida do irmão aos 16 anos. “Hoje, meu irmão completaria 17 anos, se não tivesse sido brutalmente assassinado após uma emboscada motivada pelo ciúme de um colega de classe”, lamentou.

Para Isabella, Rodrigo era seu “maior presente e maior realização”. Ela o descreveu como “tudo o que eu sonhava e mais um pouco”, o orgulho e a inspiração para ser melhor a cada dia. “Espero que o céu esteja em festa, meu irmãozinho”, finalizou, em uma despedida que humaniza a tragédia e ressalta o vazio deixado pela violência.

Relembre o caso que chocou o DF

  • Pedro Arthur Turra Basso, 19 anos, e Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, 16, se envolveram em uma briga na noite de 22 de janeiro, em Vicente Pires (DF). O confronto foi registrado por testemunhas.
  • Inicialmente, a versão apresentada indicava que a confusão teria começado após Turra jogar um chiclete em um amigo da vítima, e Rodrigo teria reagido em defesa do colega.
  • A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) passou a investigar se essa versão buscava encobrir a verdadeira motivação da agressão.
  • Novos relatos colhidos pela investigação apontaram que Rodrigo pode ter sido vítima de uma emboscada por ciúmes.
  • A apuração sugere que Pedro Turra teria sido acionado para agredir Rodrigo a pedido de outro piloto menor de idade, que se incomodou ao saber que Rodrigo conversava com sua ex-namorada.
  • Durante a briga, Pedro Turra desferiu um soco que fez Rodrigo bater a cabeça contra a porta de um carro. A vítima perdeu as forças e caiu, e a briga foi interrompida por pessoas presentes no local.
  • Rodrigo foi socorrido e permaneceu 16 dias internado em estado gravíssimo na UTI de um hospital em Águas Claras. A morte cerebral foi confirmada em 7 de fevereiro.

Prisão preventiva e próximos passos na Justiça

Pedro Arthur Turra Basso permanece preso preventivamente no Pavilhão de Segurança Máxima do Complexo Penitenciário da Papuda, no Distrito Federal, desde 30 de janeiro. Desde então, a defesa do ex-piloto da Fórmula Delta teve todos os pedidos de habeas corpus negados tanto pelo Tribunal de Justiça do DF (TJDFT) quanto pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), confirmando a gravidade das acusações.

A Justiça do DF marcou para 25 de maio, às 9h, a audiência de instrução do jovem. A sessão ocorrerá na 1ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Águas Claras. Esta etapa crucial do processo é quando o juiz colhe as provas orais, ouvindo testemunhas de acusação e de defesa, além do interrogatório do réu. Na segunda-feira, 27 de abril de 2026, a data da audiência foi designada.

Por se tratar de um caso de homicídio qualificado, o processo seguirá o rito do Tribunal do Júri. Após a audiência de instrução, o magistrado irá avaliar se existem indícios suficientes de autoria e materialidade que justifiquem o envio do réu para julgamento pelo júri popular, composto por cidadãos comuns. Se condenado, Turra pode enfrentar uma pena de até 30 anos de prisão. A decisão final ainda não foi proferida, e o processo segue em fases importantes de avaliação.

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