MISTÉRIO DA NATUREZA

Estudo revela rastro genético de fungo Ophiocordyceps em musgos

Micrografia ilustrando a relação entre fungos Ophiocordyceps e o meio ambiente.
O fungo Ophiocordyceps altera o comportamento de formigas, forçando-as a se fixarem em vegetação antes da morte.

Pesquisa publicada na revista IMA Fungus identifica DNA do fungo zumbificador em briófitas, reforçando a conexão entre parasitas e seu ambiente.

Cientistas detectaram a presença de fungos do gênero Ophiocordyceps em briófitas, plantas frequentemente utilizadas por formigas como suporte antes da morte. A descoberta, detalhada na publicação científica IMA Fungus, revela como esses organismos patogênicos deixam marcas biológicas persistentes no ambiente que habitam.

A investigação baseou-se na análise de três tipos de amostras de musgos: a parte interna (INT), a parte externa (EXT) e espécimes de controle obtidos em trilhas. O objetivo central era determinar se a identidade genética dos fungos encontrados na vegetação correspondia àquela identificada nos insetos hospedeiros.

Os resultados confirmaram uma co-ocorrência genética notável. Em casos específicos, como na espécie Ophiocordyceps camponoti-nidulantis, o DNA do patógeno chegou a compor quase 49% das sequências genéticas extraídas das amostras de musgo, evidenciando uma ligação direta entre o parasita e o substrato vegetal.

O fenômeno de transformação de formigas em zumbis ocorre quando o fungo infecta exemplares do gênero Camponotus, conhecidas como formigas carpinteiras. O parasita manipula o comportamento do inseto, induzindo-o a morder a vegetação — como o musgo — antes de perecer. Este rastro genético encontrado pelos pesquisadores sugere que o ambiente ao redor do hospedeiro torna-se um reservatório do fungo, facilitando a perpetuação de seu ciclo de vida na natureza.

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