PROTEÇÃO AMBIENTAL

Pesquisa da UFSM revela como florestas atuam no controle de enchentes no RS

Vegetação nativa em área de pesquisa da UFSM no Rio Grande do Sul.
Árvore no RS — Foto: Reprodução/ RBS TV

Estudo aponta que árvores reduzem o escoamento superficial da água e filtram poluentes transportados pelo vento, funcionando como barreiras naturais essenciais.

Florestas nativas podem desempenhar um papel determinante na proteção de áreas urbanas contra os danos causados por chuvas intensas. Uma investigação conduzida pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) demonstrou como a preservação desses ecossistemas influencia diretamente o comportamento hídrico e a resiliência das cidades.

O estudo, que detalha mecanismos biológicos de absorção, foi consolidado em análises realizadas no Jardim Botânico da UFSM. O trabalho científico esclarece que as árvores funcionam como barreiras naturais: as copas retêm parte da precipitação antes que ela alcance o solo, enquanto a camada de matéria orgânica no terreno, composta por galhos e folhas, facilita a infiltração e reduz o escoamento superficial.

Segundo Mauro Schumacher, professor do Departamento de Ciências Florestais da UFSM, esse processo de retenção foi crucial para amenizar os efeitos das inundações que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024. Sem essa cobertura vegetal, a magnitude dos danos poderia ter sido ainda mais severa.

Além da gestão das águas, a pesquisa aponta que as florestas atuam como filtros atmosféricos. Ao reter partículas trazidas pelo vento — que incluem poeira do Deserto do Saara e resíduos de queimadas no Centro-Oeste do Brasil —, o ecossistema protege a qualidade do solo e dos recursos hídricos.

Para o doutorando em Engenharia Florestal Pedro Borges, a vegetação deve ser vista como uma estratégia de mitigação de desastres. O acadêmico Lucas Almeida reforça que a expansão e a conservação das matas são investimentos diretos na sanidade dos ecossistemas e na segurança da população, prevenindo impactos sociais e econômicos decorrentes de eventos climáticos extremos.

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