AVANÇO NO ESTUDO GENÉTICO

Estudo internacional identifica 74 regiões genéticas associadas à ansiedade

Imagem ilustrando o estudo genético sobre ansiedade.
Um estudo em larga escala identificou novas pistas genéticas sobre a ansiedade.

Nova pesquisa em larga escala revela 39 novas regiões genômicas ligadas a sintomas de ansiedade, aprofundando a compreensão sobre as bases biológicas do transtorno.

Uma pesquisa internacional inédita, envolvendo quase 700 mil pessoas, desvendou um número recorde de 74 associações genéticas ligadas à ansiedade. O estudo, publicado na revista Nature Human Behaviour em 09 de junho de 2026, utilizou uma abordagem inovadora ao tratar a ansiedade não como um diagnóstico binário, mas como um espectro de respostas do organismo ao estresse, desde reações cotidianas a transtornos debilitantes. A investigação, codirigida por pesquisadores do King’s College de Londres e do QIMR Berghofer, busca lançar luz sobre os mecanismos biológicos subjacentes a essa condição mental que afeta milhões globalmente.

Historicamente, o estudo genético de transtornos psiquiátricos tem se concentrado mais em condições como esquizofrenia e transtorno bipolar, deixando a ansiedade com uma lacuna significativa em sua compreensão genética. Este estudo de associação genômica ampla (GWAS) analisou o DNA de 693.869 indivíduos, identificando 74 regiões genômicas com variações associadas a sintomas de ansiedade. Desse total, 39 regiões são descobertas inéditas, ampliando o conhecimento sobre a base biológica da condição.

A pesquisa também reforça o papel de genes específicos, como PCLO e SORCS3, que são ativamente expressos no tecido cerebral e influenciam a comunicação entre as células nervosas. Apesar dessas descobertas relevantes, os cientistas ressaltam que as variantes genéticas comuns identificadas explicam apenas cerca de 6% das diferenças na gravidade da ansiedade entre as pessoas. Isso sugere que fatores ambientais, interações gene-ambiente e outros efeitos genéticos ainda não detectados estatisticamente exercem um papel considerável.

É fundamental compreender que uma predisposição genética não define o destino de um indivíduo. O risco de desenvolver um transtorno de ansiedade resulta de uma complexa teia que entrelaça biologia, vivências, contexto social e fatores psicológicos. Pessoas com alto risco genético podem levar vidas plenas em ambientes de apoio, enquanto indivíduos com baixo risco podem manifestar a condição sob estresse intenso ou trauma. O aumento rápido dos índices de ansiedade nas gerações mais recentes corrobora a influência decisiva de fatores sociais e ambientais, apontando para a necessidade de intervenções de saúde pública focadas nessas áreas.

A identificação do risco genético individual, contudo, é uma ferramenta valiosa para detectar maior sensibilidade a pressões externas e para o desenvolvimento de tratamentos personalizados e estratégias preventivas mais eficazes. Além disso, o estudo revelou correlações genéticas significativas entre a ansiedade e uma variedade de condições de saúde mental e física, incluindo depressão, síndrome do intestino irritável, dor crônica, doença arterial coronária, endometriose e enxaqueca.

Brittany Mitchell, coautora do estudo pelo QIMR Berghofer, destaca a interconexão entre saúde mental e física. "Embora algumas variantes genéticas compartilhadas possam aumentar o risco tanto de doenças físicas quanto de sintomas mais graves de ansiedade, viver com dor ou doenças crônicas também pode contribuir para os sintomas de ansiedade", explica. Ela conclui que os achados abrem caminho para pesquisas futuras que busquem determinar a causalidade e a direção desses efeitos.

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