SAÚDE E PREVENÇÃO
Suicídio entre médicos: o impacto do estigma e a urgência de mudança na saúde ocupacional
Especialistas debatem como o perfeccionismo e a cultura do 'médico máquina' potencializam o sofrimento, exigindo medidas estruturais imediatas nas instituições.
O suicídio entre médicos configura um dos desafios mais críticos e, simultaneamente, mais ignorados da medicina contemporânea. A necessidade de enfrentar essa realidade será o foco de um evento organizado pelas Academias de Medicina do Brasil, agendado para os dias 28 e 29 de agosto em Porto Alegre, onde especialistas discutirão como a trajetória profissional, marcada por alta exigência, coloca em risco a vida daqueles dedicados a curar o próximo.
A vulnerabilidade psicológica na categoria não é um evento isolado, mas o resultado de um ambiente que cultiva o perfeccionismo e o estigma. Desde a graduação, estudantes são expostos a uma carga horária exaustiva e à cultura do silêncio, onde admitir o cansaço é visto como fragilidade. Essa crença, que ignora a humanidade do profissional, estende-se pela residência e consolida-se na carreira, dificultando a busca por ajuda especializada.
Dados do British Medical Journal (BMJ) revelam uma complexidade importante: embora o risco entre homens médicos seja comparável ao da população geral, ele é significativamente maior em comparação a outras profissões de nível socioeconômico similar. Entre as mulheres médicas, o risco permanece elevado, agravado pela dupla jornada, discriminação institucional e assédio. A pandemia de Covid-19 atuou como um catalisador, expondo ainda mais a sobrecarga assistencial e a precariedade do suporte emocional oferecido aos trabalhadores da saúde.
A prevenção exige uma transformação profunda. Instituições de ensino e hospitais devem implementar programas de bem-estar estruturados, que incluam a redução de jornadas excessivas e o acesso garantido a serviços de saúde mental confidenciais. Como pontuado por figuras históricas da área, como Sir William Osler, a competência técnica é indissociável do equilíbrio emocional. Cuidar de si mesmo não é apenas um direito, mas um imperativo ético fundamental para a segurança dos pacientes e a sustentabilidade da medicina no Brasil.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário