ALERTA SAÚDE
Estudo inédito liga álcool a risco de demência mesmo em doses baixas
Pesquisa com 559 mil pessoas, publicada no BMJ, contradiz efeito protetor do consumo moderado e aponta aumento de 16% na probabilidade da doença neurodegenerativa.
Uma pesquisa inovadora publicada nesta terça-feira, 28/04/2026, desafia a crença popular de que o consumo moderado de álcool poderia proteger o cérebro, revelando que mesmo pequenas doses elevam progressivamente o risco de demência. Cientistas, ao combinar e analisar dados observacionais e genéticos de mais de 559 mil pessoas, concluíram que não existe um nível seguro de ingestão para a saúde cerebral. Esta descoberta reverte entendimentos anteriores, enfatizando um impacto direto na qualidade de vida e na dignidade dos indivíduos, e ressalta a importância de reavaliar hábitos para proteger a função cognitiva a longo prazo.
O estudo, publicado no prestigiado periódico BMJ, reuniu informações cruciais dos bancos de dados Million Veteran Program (Estados Unidos) e Biobanco do Reino Unido. Os participantes, com idades entre 56 e 72 anos, forneceram um panorama abrangente. Diferente de análises puramente observacionais, esta investigação incorporou uma robusta análise genética, aprofundando a compreensão sobre a predisposição tanto ao alcoolismo quanto às doenças neurodegenerativas.
Os resultados desenham uma associação linear alarmante: quanto maior a propensão ao consumo problemático de álcool, maior o risco de desenvolver demência. Em termos práticos, uma duplicação no risco de alcoolismo correlacionou-se a um aumento de 16% na probabilidade de enfrentar essa devastadora condição neurodegenerativa. Esse achado crucial contradiz a teoria da curva em “U”, que sugeria um efeito protetor para o consumo moderado de álcool, enquanto abstêmios e grandes consumidores apresentariam riscos mais elevados.
“O álcool é, inquestionavelmente, tóxico para o sistema nervoso central”, afirma o neurologista Augusto Penalva de Oliveira, do Einstein Hospital Israelita. Ele destaca que a pesquisa reforça a dimensão da vulnerabilidade individual. “Pessoas com tendência à bebida e à demência tiveram esse risco amplificado ao beber”, observa. Contudo, Penalva de Oliveira ressalva que a metodologia do estudo, apesar de avançada, apresenta limitações, como a relativa falta de diversidade genética na amostra, o que indica a necessidade de pesquisas complementares.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) há muito tempo adverte que não há um nível de ingestão alcoólica completamente seguro. A substância é comprovadamente ligada a mais de 200 enfermidades. O risco associado ao consumo varia enormemente, influenciado por fatores como a quantidade e frequência de ingestão, idade, sexo, condições de saúde preexistentes e o contexto em que o álcool é consumido.
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