VULNERABILIDADE NA INFÂNCIA

Estudo aponta que 59 crianças vivem em situação de rua em Belo Horizonte

Imagem de criança trabalhando no sinal
Levantamento aponta riscos enfrentados por crianças na primeira infância em Belo Horizonte

Dados da UFMG revelam que 27 crianças possuem até 6 anos de idade. Levantamento foi divulgado na data em que a Chacina da Candelária completa 33 anos.

Cinquenta e nove crianças e adolescentes enfrentam a dura realidade de viver em situação de rua em Belo Horizonte. Os dados, revelados nesta quinta-feira (23), apontam que 27 dessas pessoas têm até 6 anos de idade, um período crítico para o desenvolvimento cognitivo e emocional humano.

O levantamento foi realizado pelo Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da UFMG, em parceria com a Rede Nacional Criança Não é de Rua. A exposição precoce a riscos como violência, exploração e negligência fere direitos fundamentais de saúde, educação e convivência familiar.

Impactos na primeira infância

O Ministério da Saúde classifica os seis primeiros anos de vida como a "janela de oportunidades", fase em que o cérebro consolida habilidades essenciais. A privação de um ambiente seguro durante essa etapa gera consequências que podem perdurar por toda a trajetória do indivíduo.

"A rua é uma situação de extrema vulnerabilidade. Essas crianças ficam expostas ao medo, à insegurança e à violência desde muito cedo", pontua a psicóloga Lívia Boareto.

Memória e persistência da violência

A publicação do estudo coincidiu com os 33 anos da Chacina da Candelária. O crime ocorrido em 23 de julho de 1993, quando oito jovens em situação de rua foram assassinados no Rio de Janeiro, permanece como um marco trágico da violência contra essa população no Brasil. Pesquisadores alertam que, após mais de três décadas, o país ainda luta para assegurar proteção integral aos menores de idade.

Caminhos para a dignidade

O Centro Pop Miguilim, gerido pela Prefeitura de Belo Horizonte, atua como um ponto de acolhimento oferecendo alimentação e atividades socioeducativas. De acordo com a coordenadora Priscila Santana, o espaço funciona como um porto seguro contra a violência das ruas.

Para o coordenador do estudo na UFMG, André Luiz Freitas, a rede de apoio é vital, mas insuficiente. "É preciso garantir políticas estruturantes para que elas consigam deixar as ruas junto com suas famílias", defende o especialista.

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