VIOLÊNCIA CONTRA MULHER
Família aponta comportamento manipulador de sargento suspeito de matar capitã Michele Leão Azevedo
Familiares relatam histórico de controle e agressões do marido, que alega morte acidental. Polícia Civil investiga o caso como feminicídio em Belo Horizonte.
O sargento Eduardo Abner Pereira de Oliveira é investigado pela morte de sua esposa, a capitã da Polícia Militar Michele Leão Azevedo, após familiares denunciarem um histórico de controle e manipulação no relacionamento. A morte da oficial, ocorrida em BH, é tratada pelas autoridades como um possível crime de feminicídio, sendo o suspeito o principal alvo das diligências em curso.
O caso ganhou repercussão após a capitã, de 41 anos, ter dado entrada sem vida no Hospital Odilon Behrens, na Região Noroeste da capital, na noite de segunda-feira (20). O corpo apresentava traumatismo craniano, hematomas e marcas compatíveis com agressões físicas, evidências que contradizem a versão do sargento, que alegou uma queda acidental após o casal consumir álcool e substâncias entorpecentes.
Marlon, tio de Michele, classificou o sargento como um homem ciumento e manipulador. Segundo o familiar, o comportamento do militar causava temor constante aos parentes, que presenciaram episódios de invasão domiciliar e intimidação por parte dele em ocasiões anteriores. "Era uma pessoa ciumenta. Tinha uma boa lábia e manipulava para conseguir o que queria", afirmou Marlon.
As investigações da Polícia Civil já avançaram com a análise de imagens de segurança, que registraram o momento em que Eduardo carrega a esposa nos ombros até o veículo antes de levá-la à unidade hospitalar. Além disso, perícias encontraram um cabo de madeira quebrado e roupas de cama recém-lavadas no domicílio, materiais que estão sendo periciados para esclarecer a dinâmica dos fatos.
Historicamente, o militar já possuía registros de comportamento violento, incluindo boletins de ocorrência de 2016 feitos por uma ex-companheira, que relatou agressões e descumprimento de medidas protetivas. A defesa de Eduardo Abner afirmou, em nota, que aguarda a conclusão dos laudos técnicos e confia na imparcialidade do processo judicial para o esclarecimento das circunstâncias da morte.
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