ONCOLOGIA EXPLICA O CÂNCER

Especialistas da CNN detalham a origem complexa do câncer e as novas fronteiras do tratamento

Dr. Roberto Kalil em estúdio com os especialistas Paulo Hoff e Maria Ignez Braghiroli discutindo o câncer.
Dr. Roberto Kalil recebe especialistas para debater o câncer no CNN Sinais Vitais.

Em debate no CNN Sinais Vitais, Dr. Kalil e convidados desmistificaram a doença, abordando desde as mutações genéticas até as terapias personalizadas e agnósticas que moldam o futuro da medicina.

O câncer, longe de ser uma doença única, é um complexo de mais de cem condições distintas, todas enraizadas em alterações no código genético das células. Quando essas modificações se acumulam e o organismo não consegue corrigi-las, as células iniciam uma multiplicação descontrolada, culminando na formação de tumores. Essa compreensão científica, consolidada ao longo de décadas, foi detalhada por especialistas no programa CNN Sinais Vitais. O debate contou com a participação do Dr. Roberto Kalil, ao vivo na CNN Brasil, com os renomados Paulo Hoff, professor titular de Oncologia da FMUSP e diretor do ICESP, e Maria Ignez Braghiroli, oncologista clínica do ICESP, para discutir a prevenção do câncer.

Paulo Hoff explicou o intrincado processo biológico por trás do desenvolvimento da doença. "Nós sabemos hoje que o câncer não é uma doença. É um conjunto de doenças que tem características muito similares, e a sua origem está numa alteração do código genético", afirmou, ressaltando que a formação de um tumor geralmente requer o acúmulo de quatro a sete mutações genéticas.

Quando essas mutações afetam os proto-oncogenes — essenciais para o desenvolvimento corporal — ou desativam genes supressores de tumor, o mecanismo natural de reparo do organismo é comprometido.

Agressividade tumoral ligada a alterações moleculares

Maria Ignez Braghiroli elucidou que a agressividade de um câncer está diretamente atrelada às alterações moleculares específicas que as células acumulam. "A agressividade vem de que alterações essas células terão acumulado. E por isso, o mesmo tumor pode ser mais agressivo ou menos agressivo, a depender de que alterações moleculares ele tenha", disse Braghiroli. Essas características moleculares, por sua vez, influenciam significativamente a resposta do tumor aos tratamentos disponíveis.

Hoff complementou, lembrando que a ocorrência de mutações celulares é frequente no dia a dia, mas o corpo saudável é apto a eliminá-las. O problema surge quando esse sistema de defesa falha. "A pessoa descobre o câncer e rapidamente tem uma evolução desfavorável, enquanto outras pessoas têm um câncer que fica anos e anos se arrastando. A razão dessa diferença é que modificação exatamente aconteceu dentro das células", explicou.

O futuro da oncologia: tratamentos agnósticos e personalizados

Os especialistas indicaram que a oncologia avança rapidamente em direção a abordagens cada vez mais individualizadas. Maria Ignez Braghiroli destacou que diversas medicações atuais já são prescritas com base nas alterações moleculares do tumor, e não apenas em seu órgão de origem. "Isso é o que se chama de aprovações agnósticas. Eles dependem mais da alteração do que de onde aquela doença surgiu", explicou.

Paulo Hoff projetou uma transformação profunda na prática da medicina oncológica. "Você não vai tratar câncer de pulmão ou câncer de estômago ou câncer de mama. Você vai tratar um câncer que surgiu por determinada alteração molecular e vai focar neste aspecto do tratamento", afirmou. Esse modelo, que já está em implementação parcial, tende a se consolidar, tornando o atual paradigma baseado unicamente na localização do tumor insustentável a longo prazo.

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