COMPORTAMENTO E CIÊNCIA

Estudo revela que a personalidade humana é mais dinâmica ao longo da vida

Ilustração representativa sobre o desenvolvimento da personalidade humana ao longo da vida.
Pesquisa aponta que traços de personalidade, como Extroversão e Amabilidade, podem mudar significativamente com o passar dos anos. Foto: Magnific

Pesquisa publicada na Communications Psychology desafia a crença de que os traços são imutáveis e aponta evolução constante na fase adulta.

A personalidade humana é mais maleável do que a percepção popular sugere, com traços que se desenvolvem continuamente durante toda a vida adulta. A descoberta foi detalhada em um estudo publicado na revista científica Communications Psychology, periódico vinculado à Nature, que confrontou a visão tradicional de que o caráter se estabiliza logo após a juventude.

Ao analisar dados de 166.971 indivíduos e compará-los com a percepção de 887 adultos, pesquisadores das universidades de Zurique e Texas A&M, em colaboração com instituições da Alemanha, demonstraram que as alterações de personalidade são comparáveis, e por vezes superiores, a mudanças em indicadores como saúde, renda e autoestima.

O trabalho focou no modelo dos "big five", que avalia cinco dimensões: Extroversão, Amabilidade, Conscienciosidade, Neuroticismo e Abertura à experiência. Os resultados indicam que essas características não são estáticas, mas fluem conforme a trajetória de vida, sendo subestimadas tanto pelo público quanto por teorias psicológicas do século 20.

Para o indivíduo, compreender essa plasticidade é fundamental para o desenvolvimento pessoal. A crença na imutabilidade pode criar um ciclo de desmotivação, onde o esforço para cultivar novas atitudes é visto como infrutífero. Reconhecer a capacidade de mudança pode, portanto, ampliar a abertura para intervenções que promovam o bem-estar e o crescimento contínuo.

A análise consolidou bases de dados longitudinais coletadas nos Estados Unidos, Alemanha, Austrália e Holanda. Embora os pesquisadores reconheçam as Limitações do estudo, como a predominância de populações ocidentais, a pesquisa reforça que a estabilidade percebida é, em parte, um constructo social e cognitivo, influenciado pela tendência humana de categorizar pessoas e interpretar comportamentos de forma rígida ao longo do tempo.

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