ALERTA MÉDICO
Especialistas alertam para riscos das canetas emagrecedoras e aumento de câncer em jovens, discutidos em congresso nos Estados Unidos
Câncer antes dos 50, obesidade sarcopênica e gordura no fígado foram temas centrais em congresso. Médico José Gurgel detalha impactos e recomendações.
Especialistas reunidos em um dos maiores congressos de clínica médica do mundo, realizado nos Estados Unidos, demonstraram preocupação com o aumento de casos de câncer em pessoas com menos de 50 anos, os riscos associados ao uso de canetas emagrecedoras em idosos e a prevalência da gordura no fígado. As discussões foram detalhadas pelo médico gastroenterologista José Gurgel em entrevista à Band RN, evidenciando o impacto dessas condições na saúde pública e na dignidade individual.
Um dos debates mais intensos girou em torno das chamadas canetas emagrecedoras. José Gurgel explicou que, embora esses medicamentos tenham revolucionado o tratamento da obesidade, há um risco particular para idosos com sarcopenia – a perda de massa e força muscular ligada ao envelhecimento. Essa condição, conhecida como obesidade sarcopênica, combina excesso de peso com fraqueza muscular, dificultando atividades básicas do dia a dia e aumentando o risco de quedas.

“O obeso sarcopênico é justamente a junção das duas coisas. A pessoa é obesa e é fraca. E isso é extremamente comum”, ressaltou o especialista. Embora esses medicamentos possam trazer benefícios metabólicos, como melhora do diabetes e dos níveis de colesterol, a preocupação central é se a perda de peso, quando acompanhada da redução muscular, representa um ganho real para a saúde dos pacientes idosos.
Gurgel também alertou para o uso inadequado das canetas por jovens com sobrepeso leve, para os quais a indicação é clara: mudanças no estilo de vida. "Se você tem 26 [de IMC], é um sobrepeso discreto. Vá malhar, vá fazer atividade física e vá ingerir menos calorias. Você não tem indicação dessas canetas emagrecedoras, zero. Você tem que fazer modificação de estilo de vida, ponto final", enfatizou, relatando casos de complicações em pacientes jovens por uso indevido.
Outro ponto de grande atenção foi o expressivo aumento da incidência de câncer em adultos jovens. Segundo dados comparados pelo médico com registros da década de 1990, houve um crescimento de até 80% nos casos. Os tipos mais observados nesse grupo incluem câncer de mama, colorretal e de próstata, com destaque para o câncer de intestino grosso. O histórico familiar de câncer em parentes de primeiro grau, diagnosticado precocemente, é um fator de alerta para antecipar rastreamentos, como a colonoscopia, e considerar investigação genética.
A doença hepática gordurosa, também conhecida como gordura no fígado, foi outro tema crucial. O especialista informou que cerca de 30% da população apresenta essa condição, frequentemente associada a sobrepeso, obesidade e diabetes. O alerta é que a gordura no fígado não é inofensiva e pode evoluir para inflamação, fibrose e cirrose. Gurgel explicou que essa condição é parte de um conjunto de alterações metabólicas que afetam diabéticos e outros órgãos. Ele também reforçou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não considera nenhuma quantidade de álcool benéfica à saúde, sendo este uma fonte adicional de calorias e fator de risco para gordura corporal e hepática.
Para combater a obesidade e a sarcopenia, José Gurgel reforçou a importância da atividade física regular. A OMS recomenda, no mínimo, 150 minutos semanais para sair do sedentarismo e 300 minutos para tratar a obesidade, incentivando a combinação de exercícios aeróbicos e musculação. Recomendações alimentares incluem a substituição de refinados por integrais, aumento do consumo de frutas e verduras, uso moderado de azeite e preferência por peixes e carnes brancas, visando sempre a promoção da dignidade e qualidade de vida.
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