PRIVACIDADE EM RISCO

Erika Hilton aciona MPF contra função do Instagram que mostra localização em tempo real

Erika Hilton, deputada federal
Deputada Erika Hilton (PSOL-SP) aciona Ministério Público Federal contra funcionalidade do Instagram.

Deputada Erika Hilton pede suspensão imediata de nova funcionalidade do Instagram que expõe localização de usuários. Meta reconhece erro e retira recurso.

A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) protocolou uma representação junto ao Ministério Público Federal (MPF) nesta quinta-feira, 11 de junho de 2026, solicitando a suspensão imediata de uma nova funcionalidade do Instagram. A ferramenta, lançada no Brasil na quarta-feira (10), permite o compartilhamento da localização em tempo real de usuários, levantando sérias preocupações com a segurança e a dignidade das pessoas.

Em pronunciamento nas redes sociais, a parlamentar expressou seu profundo descontentamento e o perigo iminente da função. “Estou acionando o Ministério Público Federal e pedindo a suspensão IMEDIATA da nova função do Instagram que compartilha a localização dos usuários AO VIVO em um mapa. Um clique errado e a localização é compartilhada. Isso coloca em risco mulheres, crianças e pessoas idosas. Isso coloca em risco todas as pessoas que não aceitaram essa pataquada, mas que moram com um usuário que compartilha a localização em tempo real”, declarou.

Erika Hilton criticou a forma irresponsável com que o recurso foi disponibilizado, alertando sobre as falhas em seu funcionamento. “E, como se não bastasse um menu confuso, que induz o usuário a aceitar essa funcionalidade e o compartilhamento em tempo real da própria localização, desabilitar o sinal de GPS do celular NÃO FUNCIONA”, pontuou a deputada. Ela explicou que, mesmo sem o GPS ativo, o Instagram pode utilizar outros sinais para estimar a localização do usuário, evidenciando uma falha grave na consideração dos riscos à segurança no desenvolvimento da ferramenta.

A deputada reforçou que a funcionalidade, lançada sem a devida cautela, representa um risco concreto para a integridade física e psicológica dos usuários. “Essa é uma função lançada de forma completamente IRRESPONSÁVEL por uma big tech que só pensa em lucro e não se importa se uma nova funcionalidade pode acarretar em casos de roubo, stalking, perseguição, violência, estupro ou assassinato”, argumentou, destacando o potencial de uso indevido da tecnologia para fins criminosos e de perseguição.

A função em questão, denominada “mapa de amigos”, permitia a visualização de perfis em um mapa interativo, com atualizações contínuas da posição dos usuários. A Meta, empresa controladora do Instagram, posteriormente reconheceu que a ferramenta foi liberada por engano e que se encontrava em fase de testes, anunciando sua retirada imediata do ar. A decisão, embora tardia, atende ao clamor por segurança e à necessidade de proteger a privacidade de seus usuários.

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