RISCO À EXPORTAÇÃO
Empresas da RMC enfrentam incerteza com proposta de tarifas dos EUA
Carnes, pneus e componentes elétricos fabricados na Região Metropolitana de Campinas são os itens mais expostos à sobretaxa de 25% debatida pelo governo americano.
A aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, em discussão pelo governo dos Estados Unidos, ameaça a estabilidade econômica de setores estratégicos na Região Metropolitana de Campinas (RMC). A definição sobre a medida, que visa retaliar supostas práticas comerciais desleais, possui prazo final até 15 de julho de 2026. O impacto direto da decisão, caso confirmada, preocupa especialistas pelo risco à manutenção de empregos e à viabilidade financeira de companhias com alta dependência do mercado norte-americano. Segundo análise do Observatório PUC-Campinas, a situação é particularmente grave para segmentos como o de carnes preparadas, pneus e componentes da indústria elétrica, que possuem pouca ou nenhuma proteção na lista de exceções dos Estados Unidos. Para o economista Paulo Oliveira, pesquisador do Observatório PUC-Campinas e diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da instituição, embora o impacto agregado pareça diluído, o cenário é dramático em nível local. Municípios que concentram indústrias com grande volume de exportação para os EUA podem sofrer abalos na geração de postos de trabalho a médio e longo prazo, dependendo da capacidade das empresas de redirecionarem seus produtos para outros mercados. A vulnerabilidade varia conforme o setor. O estudo aponta que, enquanto produtos como medicamentos possuem isenções garantidas, bens como ferramentas motorizadas e isoladores elétricos estão totalmente expostos à cobrança. Além da tarifa de 25% discutida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, especialistas alertam que a acumulação de taxas adicionais pode elevar a carga tributária total a patamares de até 47,5%, pressionando drasticamente a competitividade nacional frente a concorrentes internacionais que não enfrentam restrições equivalentes. Enquanto o governo brasileiro mantém negociações diplomáticas na tentativa de evitar o agravamento da disputa comercial, o setor privado busca alternativas para minimizar os danos. A eficácia dessas tratativas, conduzidas desde 2025, será determinante para evitar que o custo do isolamento comercial recaia sobre a base produtiva e a força de trabalho da Região Metropolitana de Campinas.
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