RISCO À EXPORTAÇÃO

Empresas da RMC enfrentam incerteza com proposta de tarifas dos EUA

Terminal de cargas do aeroporto de Viracopos em Campinas
Terminal de cargas do aeroporto de Viracoposrto de Viracopos em Campinas — Foto: Isabela Leite

Carnes, pneus e componentes elétricos fabricados na Região Metropolitana de Campinas são os itens mais expostos à sobretaxa de 25% debatida pelo governo americano.

A aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, em discussão pelo governo dos Estados Unidos, ameaça a estabilidade econômica de setores estratégicos na Região Metropolitana de Campinas (RMC). A definição sobre a medida, que visa retaliar supostas práticas comerciais desleais, possui prazo final até 15 de julho de 2026. O impacto direto da decisão, caso confirmada, preocupa especialistas pelo risco à manutenção de empregos e à viabilidade financeira de companhias com alta dependência do mercado norte-americano. Segundo análise do Observatório PUC-Campinas, a situação é particularmente grave para segmentos como o de carnes preparadas, pneus e componentes da indústria elétrica, que possuem pouca ou nenhuma proteção na lista de exceções dos Estados Unidos. Para o economista Paulo Oliveira, pesquisador do Observatório PUC-Campinas e diretor da Faculdade de Ciências Econômicas da instituição, embora o impacto agregado pareça diluído, o cenário é dramático em nível local. Municípios que concentram indústrias com grande volume de exportação para os EUA podem sofrer abalos na geração de postos de trabalho a médio e longo prazo, dependendo da capacidade das empresas de redirecionarem seus produtos para outros mercados. A vulnerabilidade varia conforme o setor. O estudo aponta que, enquanto produtos como medicamentos possuem isenções garantidas, bens como ferramentas motorizadas e isoladores elétricos estão totalmente expostos à cobrança. Além da tarifa de 25% discutida sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, especialistas alertam que a acumulação de taxas adicionais pode elevar a carga tributária total a patamares de até 47,5%, pressionando drasticamente a competitividade nacional frente a concorrentes internacionais que não enfrentam restrições equivalentes. Enquanto o governo brasileiro mantém negociações diplomáticas na tentativa de evitar o agravamento da disputa comercial, o setor privado busca alternativas para minimizar os danos. A eficácia dessas tratativas, conduzidas desde 2025, será determinante para evitar que o custo do isolamento comercial recaia sobre a base produtiva e a força de trabalho da Região Metropolitana de Campinas.

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