REFORMA TRIBUTÁRIA ACELERADA
Empresas correm risco de perder competitividade com adaptação lenta à reforma tributária, alerta especialista
Estratégista de negócios Gustavo Maffioletti adverte que demora na adequação de contratos e sistemas pode impactar caixa e negociações a partir de 2027.
Empresas brasileiras que subestimam os impactos da transição para o novo sistema tributário correm o risco de perder espaço e competitividade. O alerta é do estrategista de negócios e fundador da M&A Advogados, Gustavo Maffioletti, que aponta a necessidade de uma adaptação ágil em contratos, sistemas e processos para mitigar efeitos negativos a partir de 2027.
Em entrevista concedida nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, ao Poder360, Maffioletti destacou que a fase operacional da reforma tributária é decisiva e que o prazo para envio de sugestões aos regulamentos da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) termina em 31 de maio de 2026. Este período é crucial para que o setor produtivo comunique inconsistências e dificuldades operacionais antes da implementação definitiva.

Maffioletti, que possui vasta experiência em operações corporativas nas Américas nas áreas cível, societária, tributária e de compliance, com especializações em direito bancário, mercado financeiro, direito tributário e gestão empresarial, enfatiza que a reforma não deve ser vista como uma questão restrita aos departamentos contábil e jurídico. A mudança afetará diretamente a precificação, logística, tecnologia, contratos e o fluxo de caixa das organizações.
O especialista aponta que o segmento de serviços será um dos mais impactados, uma vez que empresas desse setor terão menos créditos tributários para compensação sob o novo modelo de não cumulatividade. Além disso, o mecanismo de split payment, que direcionará parte dos pagamentos diretamente ao Fisco no momento da transação, alterará a dinâmica do capital de giro, pois as empresas receberão apenas o valor líquido da venda, com o tributo já retido.
Ainda segundo o tributarista, os sistemas tecnológicos atuais das empresas demonstram-se defasados para atender às novas exigências fiscais, o que acarreta riscos de inconsistências de dados durante o período de transição. Ele conclui que o planejamento antecipado será um diferencial competitivo significativo em 2027.
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